terça-feira, 24 de julho de 2012


África: culturas e sociedades (Marta Heloísa Leuba Salum (Lisy))

Texto do guia temático para professores África: culturas e sociedades, da série Formas de Humanidade, do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo.Escrito em janeiro de 1999 e revisto e adaptado em julho de 2005 para publicação neste site.

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1ª. Parte - África: cultura material e história

Para compreendermos a cultura material das sociedades africanas, a primeira questão que se impõe é a imagem que até hoje perdura da África, como se até sua "descoberta", fosse esse continente perdido na obscuridade dos primórdios da civilização, em plena barbárie, numa luta entre Homem e Natureza.
De fato, a história dos povos africanos é a mesma de toda humanidade: a da sobrevivência material, mas também espiritual, intelectual e artística, o que ficou à margem da compreensão nas bases do pensamento ocidental, como se a reflexão entre Homem e Cultura fosse seu atributo exclusivo, e como se Natureza e Cultura fossem fatores antagônicos.
E é isso que fez com que a distorção da imagem do continente africano, atingisse também os povos que ali habitavam. De acordo com as ciências do século XIX, inspiradas no evolucionismo biológico de Charles Darwin, povos como os africanos estariam num estágio cultural e histórico correspondente aos ancestrais da Humanidade. Dotados do alfabeto como instrumento de dominação não apenas cultural, mas econômica também, os europeus estavam em busca de suas origens, sentindo-se no vértice da pirâmide do desenvolvimento humano e da História. Vem daí as relações estabelecidas entre Raça e Cultura, corroborando com essa distorção.
Por isso, a história da África, pelo menos antes do contato com o mundo ocidental, em particular antes da colonização, não pode ser compreendida tomando-se como referência a organização dominante adotada pelas sociedades ocidentais. Normalmente fica no esquecimento, dado ao fato colonial, que não existe uma África anterior, a que se convencionou chamar África tradicional, diversa e independente, com suas particularidades sociais, econômicas e culturais.
As sociedades ocidentais, assim chamadas por oposição às não-ocidentais (não-europeias), se estruturaram fundamentalmente sob o modo de produção capitalista. Além disso, o modo de produção dominante (não existe apenas um) numa sociedade pode nos dizer muito sobre a vida dessa sociedade, mas certamente não comporta explicações de todas as dimensões de como os homens que a constituem compreendem sua vida e modelam sua existência.
A degeneração da imagem das sociedades africanas, de suas ciências, e de seus produtos é resultado do projeto do Capitalismo, que difundiu a ideia de que o continente africano é tórrido e cheio de tribos perdidas na História e na Civilização. É resultado também do etnocentrismo das ciências europeias do século XIX. É necessário, pois, ver de que História e de que Civilização se trata. E do ponto de vista histórico-econômico, o imperialismo colonial na África é meio e produto do Capital, uma das grandes invenções que vem desde a era dos Descobrimentos reforçada ainda mais pela consolidação do Liberalismo.
O viés econômico da História é um importante instrumento da Ideologia do Desenvolvimento, tipicamente ocidental. Dentro dessa linha de raciocínio, o Capital emerge de fora das sociedades de que tratamos para regrar suas atividades econômicas de modo diferente, conforme interesses externos aos dessas sociedades produtoras e dos povos que as constituem, modificando as relações sociais e impondo um novo modelo de pensar e agir.
As sociedades africanas tradicionais (ou pré-coloniais) tinham em suas atividades econômicas uma das formas de sobrevivência, de acordo com o meio ambiente em que viviam, de suas necessidades materiais e espirituais, e de toda uma tradição anterior de várias técnicas e tipos de produção. Havia muitos povos nômades, que precisavam se deslocar periodicamente, e havia povos sedentários, que fundando seus territórios, chegaram a constituir grandes reinos, desenvolvendo atividades econômicas produtivas, tanto de bens de consumo como de bens de prestígio (em que se destacam várias de suas artes de escultura e metalurgia).
O que a história oficial procurou velar é que os africanos desenvolveram várias formas de governo muito complexas, baseando-se seja em uma ordem genealógica (clãs e linhagens), seja em processos iniciáticos (classes de idade), seja, ainda, por chefias (unidades políticas, sob várias formas). Algumas grandes chefias, consideradas Estados tradicionais, são conhecidas desde o século IV (como a primeira dinastia de Gana), mesmo assim posteriores a grandes civilizações, cuja existência pode ser testemunhada pela arte, como a cerâmica de Nok (Nigéria), datada do século V a.C. ao II século d.C. Aliás, ela é uma das produções mais atingidas pelo tráfico do mercado negro das artes na África que coloca em risco toda uma história ainda não completamente estudada (cf. esse assunto e dois exemplares da cerâmica de Nok dos mais célebres clicando).
Os impérios de Gana, Mali e outros se sucederam na África ocidental durante toda a Idade Média européia; reinos da África oriental e central (como os Lunda e Luba) se disputam entre os séculos XVI e XIX, sendo considerados semelhantes aos estados de modelo monárquico ou imperial. Outros estados centralizados marcam relações de longa data com o exterior, como o reino Kongo (a partir do século XIII). Então, é importante relativizar o peso conferido ao continente africano enquanto um dos territórios das "descobertas", como também é o caso das Américas. Em ambos os casos, a história dos povos que lá e aqui habitavam era considerada como inexistente pelos europeus, como se a história fosse resultado de uma cultura - a europeia.
Normalmente se esquece de pensar que a "ação civilizadora" europeia era para tirar suas elites da emergência de sua própria falência econômica: os europeus precisavam se apropriar de novas terras e mercados para alcançar hegemonia. E fizeram isso na perspectiva da exploração, sob pretexto de "descobrir" o que estava "perdido", tanto no globo terrestre (como se fosse seu quintal) como na história (como se ela fosse um produto acabado), sendo eles os sujeitos, no presente, do tempo e do espaço - passado e futuro. Ignoraram que os africanos já mantinham contatos seculares (provavelmente milenares) com outras civilizações: a egípcia, por exemplo, é africana, apesar das relações estabelecidas, e reconhecidas historicamente, com o Mediterrâneo antigo.
Devemos ainda lembrar que a penetração árabe no território africano vem do século VII, enquanto os primeiros contatos dos europeus com os africanos foram estabelecidos a partir do século XV. E tais contatos foram de viajantes e mercenários, do lado ocidental, e chefias bem estruturadas, do lado africano, resultando, em alguns casos, e durante alguns séculos, num comércio ativo, dada a força de grandes estados tradicionais na África, num clima muito diferente da situação colonial que sobreveio apenas no fim do século passado. Essa exploração teve o apoio da Etnologia da época, mas tornou-se um dos fundamentos da Antropologia, cujo desenvolvimento, através de várias teorias sobre as relações do Homem com a Natureza e a Cultura, permite-nos perceber as diferenças como características e valores fundamentais para a permanência e dinâmica da Humanidade.
É através dela que se permitiu reconhecer que os estados tradicionais africanos não foram apenas instrumentos de governo eficazes e agentes da história, mas estimularam a produção de grandes patrimônios materiais.É o caso das artes de Ifé e Benin, bem como das artes luba e kuba.
Confira uma terracota de ifé cuja réplica já foi exposta no Brasil clicandoaqui). Da arte de Benin e arte luba confira as FIG 1 e 2, a sobre a arte kuba veja uma de suas estátuas mais célebres clicando aqui).
FIGURA 1:Figura de rei, arte de Benin, Nigéria, acervo MAE-USP
FIGURA 2: Estatueta do tipo chamada "de ancestral", arte luba-hemba, Republica Democrática do Congo, acervo MAE-USP
Há muitas outras modalidades da arte africana que dominam, junto com essas, a gênese de uma história da arte africana, mesmo que sempre apartada da história universal da arte. Por isso, não deixe de conferir a linha do tempo da história da arte no continente africano proposta pelo Museu Metropolitano de Nova Iorque clicando
O fato de não terem escrito sua história anteriormente, não quer dizer que os africanos, bem como os povos autóctones das Américas e da Oceania, não tinham história, muito menos que não tinham escrita. Objetos de arte considerados apenas decorativos estão plenos de mensagens codificadas por signos e símbolos que podem ser "traduzidos", ou interpretados verbalmente, como é o caso de muitos objetos proverbiais (FIG 3).
FIGURA 3: Pesos de latão para medição de pó de ouro, arte ashanti, acervo MAE
Confira também o artigo de Lucia Harumi Borba Chirinos neste site. (LINK4A) Além disso, na tradição oral, ou no registro oral da história dos povos africanos, podemos constatar que o tempo é marcado pelo evento, e que esse evento não se situa num vazio: ele supõe um lugar exato, um instante único (p. ex., a queda de um cometa célebre, uma enchente inusitada, marcando feitos de um governo determinado, de um chefe conhecido e nominado). Do mesmo modo, podemos pensar na revalidação da informação histórica em objetos que expressam, através de mesclas de estilo ou da própria iconografia, deslocamentos das comunidades africanas, formando grandes correntes migratórias pelo continente, seja de caráter cultural, comercial ou outro.
Esses contatos, determinando combinações de elementos originais de um povo com outro(s), promoveram um dinamismo externo e explicam a unidade cultural da África. Por outro lado, a história desses povos pelo continente é uma história de conquistas, de legitimação do território a ser habitado e cultivado, explicando a diversidade cultural existente.
A mudança social provocada pelo fato colonial faz parte dessa história, mesmo que a intenção da colonização era acabar com ela. O período colonial africano é recente, durando de 1883-1885 até pouco mais da metade do século XX. Nesse período, os governos europeus dividiram e reagruparam as sociedades tradicionais da África em colônias, cujas fronteiras não correspondiam aos seus territórios originais.
Nas décadas de 1950 e 1960, depois das independências conquistadas individualmente, mas num grande movimento de solidariedade entre nações, as linhas de divisa colonial foram de modo geral absorvidas na configuração dos países atuais, a partir de então com seus próprios governos. Mesmo assim, até hoje são países que lutam com dificuldade, tentando recuperar suas origens ancestrais, e prosseguir suas vidas dentro do quadro da globalização imposto mundialmente. As lutas civis, e a presença de ditadores compactuados com potências estrangeiras na África atual refletem ainda os problemas que a exploração europeia e a ideologia do desenvolvimento causaram aos povos africanos, esgotando seus minérios e suas florestas, degradando seu meio ambiente, alterando seu ecossistema, estabelecendo uma ordem completamente diferente sobre uma experiência secular de vida.
É evidente que a exploração da África não se deu apenas na sua colonização, esta já tão truculenta em si mesma, lembrando que durante esse período os africanos não foram apenas usurpados em suas economias e territórios, mas em seus modos de existência e de pensamento, principalmente através de ações missionárias. Sabemos como a Igreja manipulou o Cristianismo sob pretexto de uma ação civilizatória compactuada com países europeus.
Aqui estamos falando apenas daqueles que permaneceram no continente e não dos que foram sequestrados para a industria da escravidão que durou pelo menos quatro séculos. Podemos dizer que se o futuro de alguns africanos (os que foram feitos escravos) continuou aqui no Brasil (e nas Américas), e o passado de povos africanos na África ficou na memória coletiva e no silêncio da cultura material, temos muito a repensar sobre a nossa história em comum, encontrando, oxalá, nossos valores para o futuro.
Por isso, não podemos admitir nada de primitivo na história e na cultura material dos povos africanos, vez que se trata de sociedades que têm atrás de si mesmas existência milenar. Temos testemunhos plásticos e iconográficos do séculos V, VI e até VII a.C. nos países do Mediterrâneo antigo, que demonstram não apenas a presença da civilização egípcia, como também das civilizações da África sub-saariana, esta chamada de África negra. Vê-se aqui a antiguidade das culturas africanas, bem como sua dinâmica, alimentada não apenas por fluxos internos, mas também externos, desde longa data. Ao lado de tudo isso, lembrar que descobertas arqueológicas vêm demonstrando a precedência da espécie humana e de suas indústrias no continente africano, antes dos seus vestígios em território europeu, como o caso do exemplar mais antigo do homo sapiens sapiens (nossa espécie) descoberto no Quênia, datado de 130 mil anos atrás.
É importante, portanto, ter sempre em vista que o continente africano é imenso, com centenas de grupos étnicos ou sociedades, que não devemos chamar de tribos, pois o sistema de parentesco, além de não ser a única forma de organização, manifesta-se em grande diversidade e complexidade na composição dos grupos culturais. Hoje as sociedades africanas são sociedades modernizadas, o que não quer dizer que antes elas não tinham organização. Com uma hierarquia de obrigações e direitos, e com uma tecnologia própria ditada pela sua economia, seja ela de subsistência ou de comércio, algumas sociedades tradicionais voltavam-se mais para a agricultura, outras para a caça e pesca, e não raro, essas atividades eram mescladas. Não há conhecimento de grupos africanos sem um tipo de organização, seja em pequenas chefias a grandes repúblicas e reinos, até que as grandes potências ocidentais invadiram e colonizaram o território africano.
Em contrapartida, devemos também estar alertos para não nos valermos do que, entre nós, é tido como premissa de civilização, achando que com isso chegamos à compreensão de outros povos. Ao lado de técnicas de metalurgia ou cultivo, ao lado de chefias ou de um comércio ativo, cada sociedade, cada cultura tem um sistema de categorias próprias de pensamento e existência, sendo ele o que a diferencia das outras, e o que lhe dá real relevância perante a Humanidade. A cultura material e a arte, pelo seu caráter concreto (de "coisas", objetos), podem ser veículos eficientes para que tais categorias não fiquem tão vulneráveis à ação destruidora de nosso etnocentrismo, desde que sejam enfocadas como produtos de sociedades diferentes e não desiguais.
2ª. Parte - África: cultura material e arte africana
As artes plásticas da África que vemos nos livros e coleções são produtos desenvolvidos ao longo de séculos. Sejam esculpidos, fundidos, modelados, pintados, trançados ou tecidos, os objetos da África nos mostram a diversidade de técnicas artísticas que eram usadas nesse continente imenso, e nos dão a dimensão da quantidade de estilos criados pelos povos africanos.
Tais estilos são a marca da origem dos objetos, isto é, cada estilo ou grupo de estilos corresponde a um produtor (sociedade, ateliê, artista) e localidade (região, reino, aldeia). Mesmo assim, devemos lembrar que os grupos sociais não podem ser considerados no seu isolamento, e, portanto, é natural que a estética de cada sociedade africana compreenda elementos de contato. Além disso, cada objeto é apenas uma parte da manifestação estética a que pertence, constituída por um conjunto de atitudes (gestos, palavras), danças e músicas. Isso pode determinar as diferenças entre a arte de um grupo e de outro, tendo-se em vista também o lugar e a época ou período em que o objeto estético-artístico era visto ou usado, de acordo com a sua função.
Portanto, a primeira coisa a reter é que, na África, cada estátua, cada máscara, tinha uma função estabelecida, e não eram expostas em vitrines, nem em conjunto, nem separadamente, como vemos dos museus. Outra coisa deve ser lembrada: a arte africana é um termo criado por estrangeiros na interpretação da cultura material estética dos povos africanos tradicionais, diferente das artes plásticas da África contemporânea que se integram, como as nossas, brasileiras e atuais, no circuito internacional das exposições
Se hoje ainda há uma produção similar aos objetos tradicionais, ela deve-se no maior das vezes às demandas de um mercado turístico, motivado pela curiosidade e exotismo.
Com referência aos objetos muito semelhantes aos tradicionais ainda em uso em rituais religiosos ou festas populares há, assim como no Brasil, na África atual, uma cultura material, que, apesar de sua qualidade estética, é considerada, também pelos africanos de hoje, "religiosa" ou "popular" nos moldes ocidentais, onde o antigo e moderno são historicamente discerníveis. Isso não quer dizer, no entanto, que, através de conteúdos e símbolos, a arte africana atual não esteja impregnada do tradicional, ainda que se manifestando em novas formas. Ao contrário, as especificidades da estética tradicional africana é visível também, nos dias atuais, nas produções artísticas dos países de fora da África, principalmente daqueles, como o Brasil, cuja população e cultura foram formadas por grandes contingentes africanos.
Mas aqui, neste texto, estaremos tratando sempre dessas produções realizadas pelos africanos antes da ruptura entre tradição e modernidade. Daqui para frente, devemos relativizar o uso do tempo verbal, e lembrar que a expressão arte africana é, queiramos ou não, um reducionismo inventado por estrangeiros, mas que está cristalizada entre nós, relativa a toda produção material estética da África produzida antes e durante a colonização, até meados do século XX, trazida à Europa por viajantes, missionários e administradores coloniais.
Não seria difícil encontrarmos nessa arte africana alguns elementos de aproximação com os de correntes da arte ocidental, do naturalismo ao abstracionismo. Mas esse tipo de comparação não é capaz de nos desvendar o verdadeiro sentido da arte africana tradicional, porque esta não foi feita para ser realista ou cubista, isto é, ela não era um exercício de reflexão sobre a forma, ou sobre a matéria, como nas artes plásticas entre nós. Apesar disso, podemos identificar na arte africana os elementos que permitiram a artistas, como Picasso, a revolucionar a arte ocidental.
O cubismo, portanto, é uma invenção intelectual dos europeus, que nada tem a ver com a intenção dos africanos: enquanto no cubismo a representação do objeto se dá de diversos pontos de vista, em diversas de suas dimensões formais ao mesmo tempo, a estética africana busca, ao contrário, uma síntese do objeto ou do tema construído materialmente, plena de objetivo, inspiração e conteúdo.
Uma estátua não representa, normalmente, um Homem, mas um Ser Humano integral, que tem uma parte física e espiritual - do passado e do futuro. Tem, por isso, um lado sagrado, ligado às forças da Natureza e do Universo. Uma máscara ou uma estátua concentram forças inerentes do próprio material de que são constituídas, ou que comportam em seu interior ou superfície, além de sua própria força estética. Elas não têm, portanto, uma função meramente formal.
Ainda assim, podemos observar que algumas produções são mais realistas ou mais geométricas. O realismo ocorre com frequência nas estátuas, talvez por seu caráter representativo (de uma figura humana, da imagem onírica de um antepassado), enquanto que o geometrismo aparece muito nas máscaras, principalmente naquelas que representam espíritos e seres sobrenaturais, melhor dizendo, o desconhecido (mas existente no plano consciente e inconsciente). Mesmo assim, nada disso permite dizer ou não é isso que determina haver uma linha divisória clara entre uma forma e outra, ou um estilo e outro.
Mas podemos distinguir uma arte produzida na África ocidental e a produzida na África central. E dentro dessas grandes áreas geográficas, podemos distinguir estilos seja pelos detalhes, seja pelo tema ou tipo do objeto produzido. Por exemplo, as produções artísticas dos Dogon e Bambara são muito distintas embora situadas, por alguns autores, dentro de uma mesma faixa estilística (chamada de "sudanesa"), já que elas apresentam uma certa continuidade formal ou temática, além do fato de que tais sociedades ocupam territórios contíguos permeados por identidades históricas, geográficas e ambientais. No entanto, as portas de celeiro são renomadas entre os Dogon (FIG 4 ), e o tema do antílope é mais reconhecido, embora não exclusivo, na arte Bambara (FIG 5).
FIGURA 4: Porta de celeiro, arte dogon, Mali, acervo MAE-USP
FIGURA 5: Topo de máscara "tyi-wara", arte bambara, Mali, acervo MAE- USP
Esse tipo de objeto (porta de celeiro) e esse tema (antílope) celebram a arte dos Dogon e dos Bambara respectivamente não apenas porque foram encontrados em abundância entre eles, mas também porque são considerados por esses povos como signos específicos de sua cultura em circunstâncias dadas na sua tradição oral.
É oportuno lembrar que a distinção entre os estilos só pode ser determinada por uma série de estudos interdisciplinares que apoiam a análise morfo-estilística. Entre essas disciplinas estão a arqueologia e etno-história, que, apesar de suas especificidades, estão intimamente ligadas à etnografia e à Antropologia.
Os procedimentos técnicos e a matéria-prima usados na produção material podem "falar" muito sobre o estilo, assim como sobre o meio ambiente em que determinadas sociedades vivem. A madeira era muito usad-a nas regiões de floresta. É por isso que a estatuária africana está concentrada na chamada África ocidental e na África central, regiões onde predominava a floresta equatorial e tropical, e onde se conservam apenas partes dela hoje em dia.
O uso do metal, embora tenha sido corrente em todo o continente, caracterizou as produções artísticas da savana, onde floresceram grandes reinos, tanto na África ocidental quanto na central, onde a arte era fundamentalmente ligada à organização social e política, a serviço de mandatários, através de ateliês oficiais - caso da chamada "arte de côrte" de Ifé e Benin (já ilustrada acima) ou da escultura da associação Ogboni fieta pelo sofisticado processo de fundição pela cera perdida (FIG 6).
FIGURA 6: Ilustração das etapas da fundição de um par de "edan" pela técnica da cera perdida, arte ogboni/ioruba, Nigéria, acervo MAE-USP
Junto a essas produções de metal devemos mencionar a escultura em marfim, renomada não apenas entre povos do Golfo da Guiné e do Benin (como os ioruba) mas também entre os da embocadura do Rio Congo (como os Bakongo), que desde o século XV era requerida pelos "gabinetes de curiosidade" da Europa (veja clicando). Bruto ou trabalhado, o marfim, assim como o cobre, era considerado precioso em todas as sociedades africanas, desde muito antes do tráfico (desde a antiguidade, pelo Vale do Nilo e pelo Saara), mas é certo que o contato com o mundo ocidental, desde o Renascimento europeu, promoveu um desenvolvimento de uma arte africana em marfim já voltada para o comércio e turismo como a da atualidade.
Outras artes, como a cerâmica, cestaria, adornos corporais, eram feitas tradicionalmente por todas as sociedades, respondendo às necessidades cotidianas e rituais, sendo que podemos destacar algumas em que essas técnicas eram mais usadas do que a escultura, de acordo com o modelo de organização social e as formas de expressão estética. Nesses casos, os recursos gráficos eram mais aplicados do que os recursos representativos da escultura. Aqui podem ser compreendidos, particularmente, os produtos de sociedades situadas em regiões semi-áridas, que, em busca periódica de novos territórios, não podiam transportar com facilidade bens móveis de grande porte. Mas às vezes esses modelos de análise se mostram arbitrários, pois a arte decorativa pode imperar também onde as figurativas e realistas são muito destacadas, e onde a produção estética está voltada à legitimação de um poder monárquico e centralizado como dos Bakuba (FIG 7), e que também comporta uma importante estatuária conforme ilustrado acima.
FIGURA 7: Montagem de objetos utilitários com decoração típica, arte kuba, Republica Democrática do Congo, acervo MAE-USP.
Assim, o material nem sempre era usado por sua abundância ecológica e a escolha do material não era arbitrária: como o objeto que iria ser produzido, o material tinha um valor simbólico em cada centro de produção. Algumas máscaras e estátuas deveriam ser esculpidas em madeira de árvores determinadas; a confecção de adornos implicava no uso de determinadas fibras e sementes, e, em alguns casos, de tipos diferentes de contas, se não de um tipo de liga metálica, de marfim e outros materiais de origem inorgânica e animal.
Certos detalhes morfológicos dos objetos, como a posição, o tamanho, a distribuição de cores, entre outros, são características diferenciais do estilo com que cada sociedade representa uma forma e um tema. Mas existe uma série de características culturais comuns entre os povos da África e diversas das de sociedades de outros continentes que permeiam suas artes tradicionais de uma forma singular: seus sistemas de pensamento e de crenças.
3ª. Parte - África: cultura material, filosofia e religião
Antes de mais nada, devemos lembrar que a dissociação entre Religião e outras esferas da Cultura existente no Ocidente, e na Modernidade, não faz parte da natureza da Humanidade. E, como vimos, as sociedades da África pertencem a complexos culturais muito antigos, reciclando valores arraigados pela Tradição, caracterizando-se por uma maneira de produzir bens espirituais e materiais de acordo com sua história e com o meio ambiente onde se formaram. 
Para compreendermos os sistemas de pensamento e de crenças das sociedades africanas, devemos ter sempre em mente a dinâmica tradição-modernidade, e, como fizemos com respeito à arte, relativizar o que pertenceu ao passado e o que, e sob que forma, permanece no presente.
Cada cultura africana tinha, antes da ruptura social, sua forma de conceber o mundo, de explicar suas origens e de formular o que lhes convêm, conforme mostram os mitos e lendas, bem como o discurso das pessoas mais antigas, que viveram antes ou durante a situação colonial. Isso demonstra a grande diversidade cultural no continente, correspondente à diversidade de formas e estilos na arte tradicional.
Apesar disso, no plano filosófico, podemos assinalar um aspecto que dá unidade aos povos da África tradicional: o indivíduo é considerado vivo porque tem um ascendente (é filho, neto de alguém), e quem vai lhe garantir a finalidade e memória de sua vida e existência é a perspectiva de seu descendente (seu futuro filho e neto). Portanto a noção de morte está concretamente ligada à de vida : morrer significa não procriar. Sem filhos, a linhagem familiar se extingue - vida e morte não são apenas biológicas, mas sociais principalmente. A existência do indivíduo se traduz através do seu ser-estar (o que implica em tempo e espaço ou lugar) no mundo, através do cotidiano, no trabalho ou no lazer, sempre conectado ao universo social, cósmico, natural e sobrenatural ao mesmo tempo, sendo impossível separar o que é concreto e espiritual, ou determinar o que é sagrado ou profano, na vida desses povos.
Nesse contexto, o exercício da existência volta-se para questões que vão além do poder econômico, o que não exclui a preocupação social e individual com o status (disputado e atribuído a indivíduos de prestígio como sábios e dirigentes), já que ele é uma das chaves para que o grupo tenha uma estrutura para permanecer unido e forte visando ao advento de futuras gerações.
Daí, a profusão de imagens antropomórficas esculpidas a que se chama de "ancestrais", já que normalmente, mas nem sempre como se divulga através de publicações, eram relacionadas, e usadas, no culto de antepassados. Os chamados "fetiches", aí colocados em oposição aos "ancestrais", são objetos, esculpidos ou não, constituídos de vários materiais agregados. O conceito de fetiche é discutível, pois, significando "coisa feita", é relacionado sempre à magia e a feitiçaria num sentido distorcido.

FIGURA 8: Estatueta "buti", do tipo chamada de "fetiche", arte teke, Republica Democrática do Congo, acervo MAE-USP.

Na verdade, os materiais dos "fetiches" entre os quais são também classificadas estatuetas dos Bateke (FIG 8, acima) - simbolizam partes dos mundos animal, vegetal e mineral, aludindo uma idéia de totalidade construída pelos africanos, baseada em seu conhecimento sobre as forças da Natureza (muitas vezes relacionados à cura medicinal) e do Cosmo. Isso explica porque muitas das estatuetas chamadas de "fetiches", em contrapartida, tinham relações diretas com o culto de antepassados, fundado na ideia de acúmulo de forças através de gerações sucessivas e da apropriação do território.
Outras duas características nos sistemas filosófico e de crenças das sociedades africanas tradicionais é a consciência de periodicidade e infinitude, isto é, a idéia de que o descendente vem do ascendente e a ideia, que vem em decorrência disso, de que o passado está intimamente ligado ao futuro, passando pelo presente.
Um indivíduo vivendo em sociedade em um determinado período histórico supõe a existência de outro ou outros indivíduos (filho, neto, bisneto, etc) em períodos subsequentes, graças à existência daqueles que vieram antes dele, e criaram regras para que seus contemporâneos e conterrâneos pudessem seguir vivendo, articulando-se conforme as condições de sobrevivência. Há um provérbio de origem africana em que podemos constatar essa característica de infinitude, de que a vida é infinita: "uma vez que é dia, depois noite, qual será o fim deles?".
Esse tipo de pensamento comporta uma perspectiva dinâmica que não corresponde à ideia de que esses povos não teriam história antes dos europeus chegarem, e que eles viviam sempre do mesmo modo que seus avós e bisavós. Outro provérbio africano nos permite constatar essa característica de periodicidade, de que a vida é periódica - e histórica: "as coisas de amanhã estão na conversação das pessoas de amanhã".
Vemos aqui uma preocupação em regrar o que acontece no presente, o que é uma responsabilidade dos que vivem para garantir a existência do futuro, e que não há nada de estático nisso, ao contrário, há uma previsão de mudança, uma consciência de que há um dinamismo na vida, na existência, não apenas por modificações ambientais naturais, mas também modificações técnicas e filosóficas determinadas pela sucessão de gerações.
Desse modo, os africanos preservavam regras de sua Cultura, modificando-as quando necessário, sem precisar de outras normas vindas de fora, coisa que os Europeus não podiam entender, pois eles se consideravam superiores a todos os povos não-europeus.
Esse sentimento de superioridade vem da constatação da diferença. Na visão judaico-cristã, por exemplo, os africanos foram tidos como povos animistas, isto é, aqueles que atribuem vida às coisas e seres inanimados, e acreditando que plantas e animais são dotados de "alma", sendo portanto capazes de agir como seres humanos. Isso não é verdade e deturpa as formas autênticas de concepção do mundo dos africanos, colocando-os como inferiores, ou "primitivos".
O que ocorre, na verdade, é que na África tradicional a concepção de mundo é uma concepção de relação de forças naturais, sobrenaturais, humanas e cósmicas. Tudo que está presente para o Homem tem uma força relativa à força humana, que é o princípio da "força vital", ou do axé - expressão ioruba usada no Brasil. As árvores, as pedras, as montanhas, os astros e planetas, exercem influência sobre a Terra e a vida dos humanos, e vice-versa. Enquanto os europeus queriam dominar as coisas indiscriminadamente, os africanos davam importância a elas, pois tinham consciência de que elas faziam parte de um ecossistema necessário à sua própria sobrevivência. As preces e orações feitas a uma árvore, antes dela ser derrubada, era uma atitude simbólica de respeito à existência daquela árvore, e não a manifestação de uma crença de que ela tinha um espírito como dos humanos. Ainda que se diga de um "espírito da árvore", trata-se de uma força da Natureza, própria dos vegetais, e mais especificamente das árvores. Assim, os humanos e os animais, os vegetais e os minerais enquadravam-se dentro de uma hierarquia de forças, necessária à Vida, passíveis de serem manipuladas apenas pelo Homem. Isso, aliás, contrasta com a ideia de que os povos africanos mantinham-se sujeitos às forças naturais, e, portanto, sem cultura. Os povos da África tradicional admitem a existência de forças desconhecidas, que os europeus chamaram de mágicas, num sentido pejorativo. Mas a "mágica", entre os africanos, era, na verdade, uma forma inteligente - de conhecimento - de se lidar com as forças da Natureza e do Cosmo, integrando parte de suas ciências e sobretudo sua Medicina.
Esses elementos filosóficos podem ser vistos expressados graficamente nas decorações de superfície de esculturas, na tecelagem e no trançado, e na própria arquitetura, através de figuras geométricas (zigue-zagues, linhas onduladas, espirais - contínuas e infinitas), de figuras zoomorfas (cobras, lagartos, tartarugas - que, além de sua forma, estão associadas à ideia de vitalidade e longevidade).
Trata-se de uma linguagem gráfica simbólica, equivalente a da figura antropomórfica em estátuas e estatuetas, onde se ressaltam cabeça, mãos e pés, seios, ventre, orgãos sexuais (todos considerados, de um modo geral, centros de força vitais). Elas expressam, do mesmo modo que os grafismos, aspectos relacionados ao tema da reprodução humana e à capacidade de produção do conhecimento necessário à perpetuação da espécie humana, mesmo que individualmente, venham a desempenhar funções e a expressar significados específicas(FIG 9).
FIGURA 9: Estatueta "akua-ba", arte ashanti, Gana, acervo MAE-USP
Temas como a fertilidade da mulher e fecundidade dos campos são frequentes e quase que indissociáveis na expressão artística, estabelecendo a relação entre a abundância de alimento e a multiplicação da prole, um fator concreto em sociedades agrárias. O tema do duplo remete à relação de fatores complementares ou antagônicos (dia-noite, homem-mulher). Todas essas formas gráficas e representativas são um recurso para apresentar, sob forma material, um conjunto de ideias sobre a existência concebida visando ao equilíbrio e à perpetuação biológica e espiritual do grupo social.
Dizem que os africanos não tinham Deus, ou que tinham vários deuses, o que não parece ser muito preciso. Em quase todas as populações da África foram registrados depoimentos da criação do mundo, em que existe apenas um único "Deus". Trata-se de uma força primordial, um Criador que criou o Mundo e os Homens, colocou-os na Terra, e deixou-os ao seu Destino (FIG 10).
FIGURA 10: Topo de máscara, arte senufo, Costa do Marfim, acervo MAE-USP.
Essas histórias de origem podem ser chamadas de mitos porque se trata de seres não conhecidos em vida (que estão na memória coletiva), sendo por isso míticos, sem que se caia no erro de desconsiderá-los, como fizeram os ocidentais, como idéias sem valor científico e histórico. Tais mitos de origem comportam freqüentemente o relato de pares primordiais, de gêmeos ou duplas, que vieram para cultivar e povoar o mundo, e, muitas vezes, seres zoo-antropomorfos que, dotados da tecnologia (instrumentos agrários ou de caça), vieram para ensinar os Homens a produzir e obter alimento, para se multiplicarem, zelando, eles - os Homens -, pela sua própria permanência em vida.
Uma das diferenças dessas idéias com relação às idéias de mundo cristãs é a consciência de que cada ser que está presente no mundo tem seu papel, e que a força dos Homens é humana, e não divina. Daí a necessidade de uma relação constante com os antepassados, visando às futuras gerações. Esse pode ser apontado como um significado substantivo das várias formas de culto de ancestrais.
É por isso que a vida dos povos africanos é tida como muito mais ritualizada que no mundo cristão. O mundo material e o espiritual são concebidos juntos, quase que inseparáveis, o que implica em modelos de culto e religião completamente diferentes do que se adotou no Ocidente, que por sua vez serviu de modelo para outros povos formados na modernidade, como é o caso brasileiro.
Os Candomblés (são várias as formas como essa religião brasileira de origem africana se apresenta) conservam formas de culto muito próximas às de cultos tradicionais da África ocidental (sobretudo dos Fon e dos Ioruba), adotando emblemas, nomes e outras características de suas divindades (e, às vezes, das divindades dos povos de línguas bantu, ou dos chamados Bantos, da África central), bem como a hierarquia de poder iniciático (FIG 11 a 13).
FIGURA 11: Colar de babalaô, arte nagô, República Popular do Benim, acervo MAE-USP
FIGURA 12: Estátua de Iemanjá, arte afro-brasileira, Salvador/Brasil, acervo MAE-USP
FIGURA 13: Opaxorô, arte afro-brasileira, Salvador/Brasil, acervo MAE-USP. 
Mas, numa aproximação ainda que a grosso modo, eles teriam uma estrutura de panteão, como a das religiões grega e cristã. Isso quer dizer que existe um Criador e uma porção de outras divindades articuladas em camadas subalternas. Os cultos tradicionais da África, por sua vez, voltavam-se, em linhas gerais, aos antepassados ou a divindades da Natureza. Neste último caso, poderia ser enquadrado o Culto de Orixás - apelação dada às divindades de origem ioruba ou nagô (os voduns, inquices e caboclos são divindades de povos africanos de outras origens) -, em que se baseiam a maioria dos candomblés, muito embora muitas dessas divindades celebram chefes políticos sacralizados, com uma qualidade divina, de uma localidade (ou reino) determinado, onde são considerados como antepassados.
Para concluir, grande parte da escultura antropomórfica seja da África ocidental, seja da central, é uma "presentificação" desses personagens míticos ou mesmo conhecidos em vida - antepassados fundadores de territórios, chefes de linhagem ou chefes eleitos renomados por feitos realizados durante seus governos. Em peças desse tipo transparece a grande relação entre política e religião, motivo pelo qual estátuas, bustos e cabeças, tendo uma força acumulada de vários níveis, não podiam ser vistas por todas as pessoas, se não os altos iniciados nos cultos, ou seja, aqueles que tinham status social e religioso, sendo que em muitas sociedades, o chefe político era também o sacerdote supremo.
E, neste final, resta a contradição: grande parte da arte africana, que tanto nos mobiliza o olhar pelo impacto estético, era feita, antes de ser tirada de seu contexto, para não ser vista, a menos que houvesse uma ocasião precisa para isso. Está aí está a demonstração da grandeza e do poder de uma cultura material, depositária não de segredos, mas de fundamentos, a serviço da história e cultura dos povos africanos, que dentro e fora de seu território original, continuam sua existência, formando novos valores, como acontece entre nós, no Brasil.
Bibliografia

BALANDIER, G. As dinâmicas sociais: sentido e poder. São Paulo: Difel, 1976.
BALANDIER, G.; MAQUET, J. Dictionnaire des civilisations africaines. Paris: Hazan, 1968.
BASTIDE, R. As Américas negras: as civilizações africanas no Novo Mundo. São Paulo: Difel; Edusp, 1974.
JAN, J. Muntu: las culturas neoafricanas. México: Fondo de Cultura Económico, 1963 (Tiempo presente; 44)
KI-ZERBO, J. (coord.). História Geral da África: I. Metodologia e pré-história. São Paulo: Ática; Paris: Unesco, 1982.
LEIRIS, M.; DELANGE, J. Afrique noire: la création plastique. Paris: Gallimard, 1967 . (Univers des formes)
MERCIER, P. História da Antropologia. Rio de Janeiro: Eldorado, 1974.
SERRANO, C.; MUNANGA, K. A revolta dos colonizados: o processo de descolonização e as independências da África e da Ásia. São Paulo: Atual, 1995. (História geral em documentos)
TEMPELS, P. La philosophie bantoue. Paris: Présence africaine, 1948.
VERGER, P. Orixás : deuses iorubás na África e no Novo Mundo. São Paulo: Currupio; Círculo do Livro, 1985


segunda-feira, 25 de junho de 2012

Normas da ABNT

ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas


                        Normas para apresentação do trabalho de pesquisa - adaptado para a pesquisa escolar:

Capa – Identificação do colégio, título da pesquisa, aluno, professor, cidade, estado e ano (ANEXO 1)

Folha de Rosto – É a primeira página a ser contada, embora não seja numerada. (ANEXO 2)

Sumário -  Enumeração das principais divisões, seções e partes do trabalho, feita na ordem em que aparecem no texto. Não se deve confundir sumário com índice. Índice é a enumeração detalhada em ordem alfabética de assuntos, nome de pessoas, nomes geográficos, etc., com a indicação de sua localização no texto. O sumário sempre antecede o corpo do trabalho, enquanto o índice aparece no final da publicação. A folha de sumário é contada, entretanto não é numerada (ANEXO 3)

Texto – A organização do texto deve ser determinada pela natureza do trabalho, isto é, a estrutura das partes ou capítulos deve ser distribuída em função do desenvolvimento do tema. Embora em sua essência, o texto deve conter três partes fundamentais: introdução, desenvolvimento ou corpo do trabalho e conclusão.

Referências Bibliográficas -  Não devem constar da lista de referências bibliográficas fontes que não foram citadas no texto. Caso seja conveniente incluir referências bibliográficas de fontes consultadas e não citadas no texto, isto deve ser feito após as referências bibliográficas, sob o título de Bibliografia Recomendada.
a)      ordem de apresentação: é apresentada conforme a ordem alfabética dos autores;
b)      forma de entrada; é feita pelo sobrenome do autor em caixa alta, seguido no nome, que pode ser abreviado (ex; RUIZ, João Álvaro ou RUIZ, J.A.);
c)      os elementos de referência bibliográfica são separados entre si por ponto, seguidos de dois espaços;
d)     indica-se a edição do documento a partir da segunda edição, do seguinte modo: número da edição, seguido de ponto e a abreviatura “ed”;

e)      Ordem de apresentação de livros:
Autor da publicação.  Título da publicação.  Subtítulo (se houver). Edição (se for o caso). Local da publicação: editor(a), ano. Exemplo;

MENDONÇA, Eduardo Prado de.  O mundo precisa de filosofia. 4.ed. Rio de Janeiro: Agir, 1976.

TERRA, Ernani & Nicola, José de. Verbos; guia prático de emprego e conjugação. São Paulo: Scipione, 1994.


OBS: quando não consta data, escreve-se “s.d.” (sem data);
           quando não consta editor, escreve-se “s.e.” (sem editor);
            quando não consta local, escreve-se “s.l.” ( sem local).

f)       na lista bibliográfica final não se repete o nome do mesmo autor. O nome é substituído por traço(grifo), equivalente a 3 cm aproximadamente.

___. Guia prático de ortografia. São Paulo: Scipione, 1196

g)      Quando constam até três autores mencionam-se todos, na ordem em que aparecem na publicação. Quando há mais de três  mencionam-se os três primeiros, seguidos da expressão latina “et al” que significa “e outros”.



Normas para digitação



1 – Use papel branco, tamanho A4 (21 cm X 29 cm), na posição vertical;

2 – Tipo de letra – Sugere-se tipo Arial ou Times New Roman nº 12;

3 – A digitação deve ocupar apenas o anverso da folha, em espaço 1,5;

4 – Os parágrafos começam a aproximadamente 2 cm da margem esquerda;

5 – A marginação – as folhas devem apresentar margens superior e esquerda de 3 cm e
margens inferior e direta de 2,0 cm; (ANEXO 4)

6 – A paginação deve ser contada a partir da folha de rosto, entretanto a primeira folha a ser numerada é a segunda página (trabalho);

7 – A numeração das laudas (folhas) deverá estar disposta na margem superior direita.


















ANEXO 1 – CAPA

COLÉGIO ESTADUAL ANTÔNIO FIGUEIRA DE ALMEIDA

LÍNGUA PORTUGUESA









ESTILOS DE ÉPOCA






NOME COMPLETO DO ALUNO








PROFESSORA: MÕNICA A. M. D’ALMENERY












RIO DE JANEIRO
JUNHO / 2012




ANEXO 2 – FOLHA DE ROSTO


COLÉGIO ESTADUAL ANTÔNIO FIGUEIRA DE ALMEIDA

LÍNGUA PORTUGUESA









ESTILOS DE ÉPOCA









NOME COMPLETO DO ALUNO







                                                                              Trabalho de pesquisa apresentado
   como requisito parcial  à obtenção
                                                                   de nota para o 2º bimestre.








RIO DE JANEIRO
JUNHO / 2012



ANEXO 3 - SUMÁRIO



                                                             SUMÁRIO           (1,5)


1. BARROCO .............................................................................................    2
      1.1 – Contexto histórico.............................................................................3
      1.2 – Características...................................................................................4
      1.3 – Principais autores..............................................................................5


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS............................................................  15     







ANEXO 4 – FOLHA GUIA


3 cm da margem superior para todas as laudas






           4 CM
PARÁGRAFOS










3 cm da                                                                                                   2,0 cm da
margem                                                                                                   margem
esquerda                                                                                                 direita
em todas                                                                                                 para todas
as laudas                                                                                                 laudas
















                                                     2,0 cm da margem
inferior em todas as laudas

terça-feira, 20 de março de 2012

Função da palavra QUE


A palavra QUE pode pertencer a várias categorias gramaticais, exercendo as mais diversas funções sintáticas.
Veja abaixo quais são essas funções e classificações.

Advérbio  Intensifica adjetivos e advérbios, atuando sintaticamente como adjunto adverbial de intensidade. Tem valor aproximado ao das palavras quão e quanto. 

Ex1: Que longe está meu sonho! 
Ex2: Os braços...;oh! Os braços! Que bem-feitos! 

Substantivo 
Como substantivo, tem o valor de qualquer coisa ou alguma coisa. Nesse caso, é modificado por um artigo, pronome adjetivo ou numeral, tornando-se monossílabo tônico ( portanto, acentuado). Pode exercer qualquer função sintática substantiva. 

Ex1: Um tentador quê de mistério torna-a cativante. 
Ex2: "Meu bem querer 
Tem um quê de pecado..."( Djavan) 
Também quando indicamos a décima sexta letra do nosso alfabeto usamos o substantivo quê. 
Ex: Mesmo tendo como símbolo kg, a palavra quilo deve ser escrita com quê. 

Preposição 
Equivale à preposição de ou para, geralmente ligando uma locução verbal com os verbos auxiliares ter e haver. Na realidade, esse QUE é um pronome relativo que o uso consagrou como substituto da preposição de. 
Ex1: Tem que combinar? (= de) 
Ex2: Amanhã, teremos pouco que fazer em nosso escritório. (= para) 
Além disso, a partícula QUE atua como preposição quando possui sentido próximo ao de exceto ou salvo. 
Ex: Chegara sem outro aviso que seu silêncio inquietante. 

Interjeição  Como interjeição, a palavra QUE (exclamativo) também se torna tônica, devendo ser acentuada. Exprime um sentimento, uma emoção, um estado interior e, equivale a uma frase, não desempenhando função sintática em oração alguma. 

Ex1: Quê! Você por aqui! 
Ex2: Quê! Nunca você fará isso! 
Partícula expletiva ou de realce 

Neste caso, a retirada da palavra QUE não prejudica a estrutura sintática da oração. Sua presença, nestes contextos, é um recurso expressivo, enfático. 

Ex1: Quase que ela desmaia! 
Ex2: Então qual que é a verdade? 

Obs: Pode aparecer acompanhado do verbo ser, formando a locução é que. 
Ex: Mas é que lá passava bonde. 

Pronome relativo 
O pronome relativo refere-se a um termo (por isso mesmo chamado de antecedente), substantivo ou pronome, ao mesmo tempo que serve de conectivo subordinado entre orações. Geralmente, o pronome relativo introduz uma oração subordinada adjetiva, nela desempenhando uma função substantiva. Neste caso, pode ser substituído por qual, o qual, a qual, os quais, as quais. 

Ex1: João amava Teresa que amava Raimundo. 
Ex2: Às pessoas que eu detesto diga sempre que eu detesto. 

Pronome Indefinido Substantivo 
Quando equivale a "que coisa". 
Ex1: Que caiu? 
Ex2: A fantasia era feita de quê? 

Pronome Indefinido Adjetivo 
Quando, funcionando com adjunto adnominal, acompanha um substantivo. 
Ex1: Que tempo estranho, ora faz frio, ora faz calor. 
Ex2: Que vista linda há aqui! 

Pronome substantivo interrogativo 
Substitui, nas frases da língua, o elemento sobre o qual se deseja resposta, exercendo sempre uma das funções substantivas, significando que coisa. 

Ex1: Que terá acontecido? (= que coisa) 
Ex2: Que adiantaria a minha presença? (= que coisa) 

Pronome adjetivo interrogativo  Acompanha os substantivos nas frases interrogativas, desempenhando função de adjunto adnominal. 
Ex1: Que livro você está lendo? 
Ex2: "Por aquela que foi tua, 

Que orvalho em teus olhos tomba?" ( Cecília Meireles) 
Obs: Caso semelhante (o qual não figura entre os tipos de pronomes registrados pela NGB) ocorre em frases exclamativas. Nesse caso, teríamos um pronome adjetivo exclamativo, sintaticamente atuando como 
adjunto adnominal. 

Ex1: Que poema acabamos de declamar! 
Ex2: Meu Deus! Que gelo, que frieza aquela! 

A conjunção QUE: o QUE pode ser conjunção coordenativa ou subordinativa.  Conjunção coordenativa 


Como conjunção coordenativa, a palavra QUE liga orações coordenadas, ou seja, orações sintaticamente equivalentes. 

Aditiva  Liga orações independentes, estabelecendo uma seqüência de fatos. Neste caso, o QUE não tem valor bastante próximo de conjunção e. 

Ex1: Anda que anda e nunca chega a lugar algum. 
Ex2: Fica lá o tempo com aquele chove que chove...! 

Explicativa  A oração coordenada explicativa aponta a razão de se ter feito a declaração contida em outra oração coordenada. Quando introduz esse tipo de oração, o QUE tem valor próximo ao da conjunção pois. 

Ex1: Mantenhamo-no unidos, que a união faz a força. 
Ex2: Deixe, que os outros pegam. 

Adversativa 
Indica oposição, ressalva, apresentando valor equivalente a mas. 

Ex1: Outro, que não eu, teria de fazer aquilo. 
Ex2: Outro aluno, que não eu, deveria falar-lhe, professor!

Conjunção subordinativa  A conjunção QUE é subordinativa quando introduz orações subordinadas substantivas e adverbiais. Essas orações são subordinadas porque desempenham, respectivamente, funções substantivas e adverbiais em outras orações ( chamadas principais ). 

Integrante 

O QUE é conjunção subordinativa integrante quando introduz oração subordinada substantiva. 
Ex1: "E ao lerem os meus versos pensem que eu sou qualquer coisa natural."( Alberto Caeiro) 
Ex2: Parecia-me que as paredes tinham vulto. 

Causal 
Introduz as orações adverbiais causais, possuindo valor próximo a porque. 

Ex1: Fugimos todos, que a maré não estava pra peixe. 
Ex2: Não esperaria mais, que elas podiam voar. 

Final 
Introduz orações subordinadas adverbiais finais, equivalendo a para que, a fim de que. 

Ex1: "...Dizei que eu saiba." ( João Cabral de Melo Neto) 
Ex2: Todos lhe fizeram sinal que se calasse. 

Consecutiva 
Introduz as orações subordinadas adverbiais consecutivas. 

Ex1: A minha sensação de prazer foi tal que venceu a de espanto. 
Ex2: "Apertados no balanço 
Margarida e Serafim 
Se beijam com tanto ardor 
Que acabam ficando assim." ( Millôr Fernandes) 

Comparativa 
Introduz orações subordinadas adverbiais comparativas. 

Ex1: Eu sou maior que os vermes e todos os animais. 
Ex2: As poltronas eram muito mais frágeis que o divã. 

Concessiva 
Introduz orações subordinada adverbial concessiva, equivalente a embora. 

Ex1: Que nos tirem o direito ao voto, continuaremos lutando. 
Ex2: Estude, menino, um pouco que seja! 

Temporal 
Introduz oração subordinada adverbial temporal, tendo valor aproximado ao de desde que. 
Ex1: "Porém já cinco sóis eram passados que dali nos partíramos." ( Camões) 
Ex2: Agora que a lâmpada acendeu, podemos ver tudo. 


As conjunções - uso em 10 músicas.

Simulado - Análise Textual

Instruções para as questões de números 1 a 6.

Cada um dos períodos abaixo foi redigidos de cinco formas diferentes. Leia-os todos com a tenção e selecione a letra que corresponde ao período que tem melhor redação,
considerando correção, clareza, concisão ,elegância.
01 - (SJRP-JUNDIAÍ)
a) Um sentimento pungente me dominava, abafando uma vaga, uma imprecisa sensação de sarcasmo.
b) Eu sentia duas coisas: uma imprecisa sensação de sarcasmo e um sentimento pungente que, ao dominar-me, abafava o mesmo.
c) Uma imprecisa e vaga sensação sarcástica me abafava a pungência que me dominava.
d) O sarcasmo impreciso e vago era abafado pelo sentimento que eu sentia, pungente dentro de mim.
e)Tão pungente que era, denominava-me um sentimento que abafava a sensação de sarcasmo, por sua vez, vaga e imprecisa.
02 - (SJRP-JUNDIAÍ)
a)A pouco a pouco, eis que vão desaparecendo do nosso litoral do Ceará as dunas, que restavam como derradeiro recurso natural doa últimos que o homem não tocou.


b)As constas Cearenses estão perdendo aos poucos as dunas, que o homem deixou em último lugar, dos recursos naturais que ele mesmo vai destruindo.


c)As dunas que representam um dos últimos recursos naturais intocados pelo homem, estão desaparecendo pouco a pouco da costa cearense.


d)No Ceará, vão sumindo pouco por pouco os recursos naturais de que as dunas são um deles, mas o homem vai pondo a perder, o litoral


e)Por obra do homem, os recursos naturais entre os quais as dunas da costa do Ceará, vão sendo destruídas aos poucos


03 - (SJRP-JUNDIAÍ)


a)A política externa americana, depois da guerra, precisa fornecer aos seus presidentes um triunfo ribombante, para que em política interna os mesmos criem uma boa imagem
de si..


b)As imagens dos presidentes americanos, como se viu depois da guerra, só ficam boas internamente quando um sucesso enorme externamente contribui para tal melhoria.


c)Após a guerra, o exemplo que se vê é esse, que todos os presidentes americanos melhorem sua imagem interna às custas de uma política externa capaz de fazê-lo.


d)Em termos de imagem interna, sucede aos presidentes americanos que, no período de pós-guerra, só uma política externa favorável consegue melhorar a mesma.


e)A julgar pelos exemplos de pós-guerra, todo presidente americano precisa de um triunfo retumbante em política externa para firmar a sua imagem no plano interno


04 - (SJRP-JUNDIAÍ)


a)Empurradas por ventos de mais de 60 quilômetros horários, as dunas, em alguns trechos, chegaram a avançar até 300 metros.


b)Os ventos, de até mais de 60 quilômetros por hora, empurraram as dunas, avançando-as em certos pontos de até 300 metros.


c)As dunas que são empurradas por ventos que ultrapassam 60 quilômetros à hora , ocuparam trechos que avançam até 300 metros.


d)A velocidade de mais de 60 quilômetros à hora imprimem um impulso nas dunas em alguns trechos, cobrindo uma faixa de até 300 metros, devido ao vento.


e)Cerca de 300 metros de certos trechos, foram cobertos pelas dunas que avançavam; tendo sido empurradas pelo vento de mais de 60 quilômetros horários.


05 - (SJRP-JUNDIAÍ)


a)Impossível dizer, no que tange ao atual movimento poético, a extensão e sua persistência.
b)A persistência e extensão do movimento poético da atualidade é impossível determinar.
c)É impossível determiná-los, com relação à persistência e extensão do movimento poético contemporâneo.
d)Não é possível determinar nem a extensão nem a persistência do atual movimento poético.
e)É impossível determinar a extensão como a persistência da atualidade da poesia que nele se faz.


06 - (SJRP-JUNDIAÍ)
a)Esta presente geração hodierna, se guardar o entusiasmo, terá o futuro em suas mãos.
b)Na mão do jovem está o futuro, senão afrouxar seu entusiasmo.
c)Contando que lhe não afrouxe o entusiasmo, a geração atual tem nas mãos o futuro.
d)Se não lhe afrouxar o entusiasmo, o futuro pertence à mão do jovem atual.
e)Guardando o entusiasmo, será esta a condição par que a geração atual tenha ao futuro nas mãos.

Instruções para as questões de número 7 a 10.

Essas questões referem-se à compreensão de leitura. Leia atentamente cada uma delas e assinale a alternativa que esteja de acordo com o texto. Baseie-se exclusivamente nas
informações nele contidas.


07 - (UEMT-LONDRINA) “Não muito remota é a conquista pedagógica que consiste na interpretação psicológica da criança como criança, e não como adulto em miniatura. Até
então, a criança tinha sido considerada do ponto de vista do adulto, olhada como um adulto ante um binóculo invertido; aquilo que fosse útil ao inútil par o adulto, igualmente o
seria, guardadas as devidas proporções para a criança.”


Segundo o texto:


a)O comportamento da criança é a uma antecipação do comportamento do adulto.
b)Atualmente, a pedagogia considera a criança um ser qualitativamente diferenciado do adulto.
c)A pedagogia moderna, para interpretar o comportamento do adulto, tem que reportar-se à infância.
d)Para a corrente pedagógica moderna, a não ser por uma questão de grau, a motivação intrínseca da criança é a mesma que a do adulto.
e) O comportamento humano é explicado por fatores que são os mesmo tanto par a criança quanto para o adulto.


08 - (UEMT-LONDRINA) “Para vendermos produtos, mesmos mais baratos, os salários das classes mais baixas precisariam ser maiores.”


Conclui-se do texto que:


a)As classe pobres podem comprar apenas os produtos cujo preço foi sensivelmente reduzidos.
b)O fato de os salários serem baixos induz as classes pobres à indiferença diante de suas necessidade do consumo..
c)As calasses pobres, em face de seus baixos vencimentos, não se importam com a qualidade dos produtos que consomem
d)As classes pobres se endividam demasiadamente, já que, por força dos baixos salários que recebem, têm poder aquisitivo muito reduzido.
e)A redução do preço dos produtos não é suficiente para colocá-los ao alcance dos salários das classes mais baixas.


09 - (UEMT-LONDRINA) “A idéia de que diariamente, cada hora, a cada minuto e em cada lugar se realizam milhares de ações que me teriam profundamente interessado, de que eu deveria certamente tomar conhecimento e que, entretanto, jamais me serão comunicadas – basta par tirar o sabor a todas as perspectivas de ação que encontro a minha frente. O pouco que eu pudesse obter não compensaria jamais esse infinito perdido.”


De acordo com o texto , para o autor:


a)a consciência da impossibilidade de participar de todos os acontecimentos diminui a importância de seus atos.
b)O interesse que o indivíduo manifesta em participar dos acontecimentos é maior que sua capacidade par dirigi-los.
c)O mundo ganha valia com o conjunto das ações humanas, mas destrói o sabor que a vida possa, individualmente, oferecer aos homens.
d)O mundo não se resolve nos gestos individuais, mas resulta do conjunto da ação harmoniosa dos indivíduos.
e)A impotência de participar dos acontecimentos de seu tempo traz, como conseqüência, o descaso pela ação humana.


10 - (UEMT-LONDRINA) “Um dia desta semana, farto de vendavais, naufrágios, boatos, mentiras, polêmicas, farto de ver como se descompõem os homens, acionistas e diretores, importadores e industriais, farto de mim, de ti, de todos, de um tumulto sem vida, de um silêncio sem quietação, peguei de uma página de anúncios (...)".
Dizendo-se farto "de um tumulto sem vida, de um silêncio sem quietação”, o cronista permite-nos concluir que ele vê o mundo como:


a)incompreensível
b)contraditório
c)autoritário
d)Indiferente
e)Inatingível


Quando Platão considerava os homens, pensava neles, naturalmente, do ponto de vista de seu próprio interesse pala vida do intelecto. Classificando as forças humanas desde a amais elevada até a amais baixa, citava em primeiro lugar a razão; depois a coragem, e por último, os sentidos e os desejos.
Segundo o texto:
11 - (UEMT-LONDRINA)
a)A classificação das forças da natureza humana que Platão estabelece decorre de uma hierarquia de valores universalmente aceitos.
b)As forças humanas, segundo Platão, não podem ser submetidas a hierarquias de valores.
c)A classificação das forças humanas, como foi concebida por Platão, deu-se em função da elevada capacidade de intelectual desse filósofo.
d)Os sentidos e os desejos, embora inferiores às outras forças humanas, são intelectualmente valorizados pelos homens.
e)Platão ao classificar as forças humanas, estabeleceu entre elas uma hierarquia, alicerçada em critério evidentemente pessoal.


A palavra destacada pode ser substituída, sem alteração do sentido da frase, por:


12 - (UEMT-LONDRINA) Seu caráter insidioso desagradava a gregos e troianos.
a)invejoso
b)mesquinho
c)pérfido
d)irresponsável
e)insinuante


13 - (UEMT-LONDRINA) Os jagunços deslizavam-lhes adiante, impondo todas as fadigas de uma perseguição improfícua.


a)inútil
b)delituosa
c)selvagem
d)imponderável
e)inoportuna


14 - (UEMT-LONDRINA) Um exame perfunctório do problema traria a solução desejada.
a)superfícial
b)atento
c)arguto
d)consciente
e)imparcial


15 - (UEMT-LONDRINA) Nessa edição foram insertos dois capítulos.


a)retirados
b)revistos
c)reescritos
d)impressos
e)introduzidos


16 - (UEMT-LONDRINA) A melodia causava-lhe inefável sensação, talvez de saudade, talvez de angústia.

a)rara
b)estranha
c)indizível
d)melancólica
e)interminável


17 - (UEMT-LONDRINA) era notória a probidade de sua vida.


a)pobreza
b)honradez
c)mediocridade
d)rotina
e)miséria


18 - (UEMT-LONDRINA) A batuta do maestro fendia airosamente o espaço.


a)aereamente
b)marcialmente
c)desajeitadamente
d)rudemente
e)elegantemente


19 - (UEMT-LONDRINA) Na puerícia, a vida é feita de encantos
a)mocidade
b)adolescência
c)pré-puberdade
d)puberdade
e)infância

As questões de 20 a 22 são a respeito do texto abaixo.
“Era uma galinha de Domingo. Ainda viva porque não passava de nove horas da manhã. Parecia calma. Desde Sábado encolhera-se num canto da cozinha. Não olhava para ninguém, ninguém olhava para ela... Mesmo quando a escolheram, apalpando sua intimidade com indiferença, não souberam dizer se era gorda ou magra. Nunca se adivinharia nela um anseio. Foi pois uma surpresa quando a viram abrir as asas de curto vôo, inchar o peito e, em dois ou três lances, alcançar a murada do terraço. Um instante ainda vacilou – o tempo da cozinheira dar um grito – e em breve estava no terraço do vizinho, de onde, em outro vôo desajeitado, alcançou um telhado. Lá ficou em adorno deslocado, hesitando ora num pé ora no outro pé. A família foi chamada com urgência e consternada viu o almoço junto de uma chaminé. O dono da casa, lembrando-se da dupla necessidade de fazer esporadicamente algum esporte e de almoçar, vestiu radiante o calção de banho e resolveu seguir o itinerário da galinha: em pulos cautelosos alcançou o telhado onde esta hesitante e trêmula escolhia com urgência ouro rumo . A perseguição tornou-se mais intensa. De telhado a telhado foi percorrido mais de um quarteirão da rua. Pouco afeita a uma luta mais selvagem pela vida, a galinha tinha que decidir por si mesma os caminhos a tomar sem nenhum auxílio de sua raça. O rapaz, porém, era um caçador adormecido. E por mais ínfima que fosse a presa, o grito de conquista havia soado. Sozinha no mundo, sem pai nem mãe, ela corria, arfava, muda, concentrada. Às vezes, na fuga, pairava ofegante no beiral de telhado e, enquanto o rapaz galgava outros comdificuldade, tinha tempo de se refazer por um momento. E então parecia tão livre. Afinal, numa das vezes em que parou para gozar sua fuga, o rapaz alcançou-a. Entre gritos e penas, ela foi presa e pousada no chão da cozinha com certa violência.”


20 - (FGV) Indique uma passagem em que o autor alude ironicamente ao recônditos instintos selvagens do dono da casa.
a)“o rapaz, porém, era um caçador adormecido.
b)“ pouco afeita a uma luta mais selvagem pela vida...
c) “... o rapaz alcançou-a.”
d)“... resolveu seguir o itinerário da galinha...”


21 - (FGV) Indique uma passagem que traduz exatamente o que representava a galinha para a família.
a)“... ninguém olhava par ela...”
b)“foi pois uma surpresa quando a viram abrir as asas...”
c)“... viu o almoço junto de uma chaminé...”
d)nenhuma das alternativas anteriores


22 - (FGV) A fuga da galinha causa consternação à família porque:
a)ao alcançar o telhado, “lá ficou em adorno deslocado...”
b)“nunca se adivinharia nela um anseio.”
c)Estava “sozinha no mundo, sem pai nem mãe...”
d)“era uma galinha de domingo

As questões de 23 a 25 são a respeito do texto abaixo:
“Não tendo assistido à inauguração dos bondes elétricos, deixei de falar neles. Nem sequer entrei em algum, mais tarde, para receber as impressões da nova atração e contá-las. Daí o meu silêncio da outra semana. Anteontem, porém, indo pela praia da Lapa, em um bonde comum, encontrei um dos elétricos, que descia. Era o primeiro que estes meus olhos viam andar. Para não mentir, direi que o que me impressionou, antes da eletricidade, foi o gesto do cocheiro. Os olhos do homem passavam por cima da gente que ia no meu bonde, com um grande ar de superioridade, Posto não fosse feio, não era as prendas físicas que lhe davam aquele aspecto. Sentia-se nele convicção de que inventara, não só o bonde elétrico, mas a própria eletricidade. Não é meu ofício censurar as meias glórias ou glórias de empréstimo, como lhe queiram chamar espíritos vadios. As glórias de empréstimo, se não valem tanto como as de plena propriedade, merecem sempre alguma mostra de simpatia. Para que arrancar um homem a essa agradável sensação? Que tenho para lhe dar em troca? Em seguida, admirei a marcha serena do bonde, deslizando como os barcos dos poetas, ao sopro da brisa invisível e amiga. Mas, como íamos em sentido contrário, não tardou que nos perdêssemos de vista, dobrando ele para o largo da Lapa e rua do Passeio, e entrando eu na rua do Catete. Nem por isso o perdi de memória. A gente do meu bonde ia saindo aqui e ali, outra gente estava adiante e eu pensava no bonde elétrico.”

(Machado de Assis – A Semana – Rio, Jacksom, 1955)


23 - (FGV) Para Machado de Assis, o conforto do bonde elétrico:


a)não vale “a marcha serena” do bonde comum.
b)Compensa as “meias glórias” ou “glorias inteiras.
c)Impressionou menos do que a atitude do cocheiro.
d)Não poderia ser trocado pela “agradável sensação”
proporcionada pelo bonde comum


24 - (FGV) Para o autor, o “ar de superioridade “ do cocheiro devia-se.


a)à certeza íntima de que inventara a eletricidade.
b)Às suas prendas físicas, pois não era feio.
c)Às suas prendas físicas, embora fosse feio.
d)Ao advento da eletricidade


25 - (FGV) Segundo o texto, o autor considera que:


a)atitudes alheias não devem ser censuradas, pois são “glorias de empréstimos”
b)mesmo os bondes comuns merecem nossa simpatia e não devem ser desprezados.
c)Só as “glórias de plena propriedade” são válidas.
d)Não vale a pena desfazer uma :” agradável sensação”.

As questões 26 a 27 são a respeito do texto abaixo:
“Conheci que Madalena era boa em demasia, mas não conheci tudo de uma vez. Ela revelou pouco a pouco, e nunca se revelou inteiramente. A culpa foi minha, ou antes a culpa foi desta vida agreste, que me deu uma alma agreste. E falando assim, compreendo que perco o tempo. Com efeito, se me escapa o retrato moral de minha mulher, para que serve esta narrativa? Para nada, mas sou forçado a escrever. Quando os grilos cantam, sento-me aqui à mesa da sala de jantar, bebo café, acendo o cachimbo. Às vezes as idéias não vêm, ou vêm muito numerosas- e a folha permanece meio escrita, como estava na véspera. Releio algumas linhas, que me desagradam. Não vale a pena tentar corrigi-las. Afasto o papel. Emoções indefiníveis me agitam – inquietação terrível, desejo doido de voltar, de tagarelar novamente com Madalena, como fazíamos todos os dias, a esta hora. Saudade? Não, não é isto: é desespero, raiva, um peso enorme no coração. Procuro recordar o que dizíamos. Impossível. As minhas palavras eram apenas palavras, reprodução imperfeita de fatos exteriores, e as dela tinham alguma coisa que não consigo exprimir. Para senti-las melhor, eu apagava as luzes, deixava que a sombra nos envolvesse até ficarmos dois vultos indistintos na escuridão.”

(Graciliano Ramos – São Bernardo – São Paulo, Liv.Martins Editora)


26 - (FGV) Segundo o texto, o narrador não pôde conhecer totalmente sua esposa, Madalena, sobretudo:


a)porque ela nunca se revelou inteiramente.
b)Por causa “desta vida agreste”
c)Por ser sempre agitado por indefiníveis emoções.
d)Porque as palavras são reproduções imperfeitas das inquietações.


27 - (FGV) A narrativa é inútil, porque o narrador:


a)não conseguiu compor um retrato moral de sua esposa.
b)Foi forçado a escrever.
c)Tem uma alma agreste.
d)Não gosta do que escreve.

As questões 28 a 29 são a respeito do texto abaixo:
“Durante muito tempo o único objetivo dos sinais era evitar colisões nos cruzamentos perigosos. Enquanto havia poucos veículos nas ruas, isso era válido; hoje, porém, a principal finalidade dos sinais luminosos é regularizar o tráfego, evitando ao máximo os transtornos dos congestionamentos. Os sinais luminosos se aperfeiçoaram bastante. Do sinal manual da Quinta –Avenida chegamos aos sinais controlados por computador que já existem no Brasil. O mais comum entre nós é o sinal em que cada uma das luzes fica aberta durante um tempo previamente determinado. Esse é o modelo americano, diferente de um aparecido inicialmente na Inglaterra, em que o tempo de abertura das luzes varia de acordo com a intensidade do tráfego: o controle geralmente, se faz por um dispositivo colocado sobre o pavimento e acionado pelas próprias rodas dos veículos. Mesmo com os modernos sinais de tempo prefixado ou os avançadíssimos controlados por computador – cujos modelos mais sofísticados usam até circuitos fechados de televisão para acompanhar a corrente do tráfego nos locais de intenso movimento – as formas antigas de controlar o trânsito continuam a ser usadas: dependendo do caso, são ainda mais seguras e/ ou econômicas. Por isso vemos, em muitas cidades brasileiras e do mundo inteiro, guardasinaleiros (às vezes atuando junto com o sinal) , sinais luminosos manuais e até semáforos do tipo primitivo, manuais, ou elétricos.”


28 - Do texto se conclui que:


a)nas ruas de tráfego intensos sinais luminosos são acionados pelas próprias rodas dos veículos.
b)Nas ruas de tráfico intenso guarda-sinaleiros substituem os sinais luminosos;
c)O modelo inglês de sinal luminoso foi adotado há alguns anos pelo governo da Guanabara;
d) O modelo americano de sinal luminoso é muito usado no Brasil.


29 - Do texto se infere que:


a)os programas de televisão de grande audiência são utilizados para melhor controle do tráfego.
b)Os dispositivos de controle do tráfego não podem ser acionados pelos guarda-sinaleiros.
c)O aperfeiçoamento dos sinais luminosos não levou a sofisticação das técnicas de controle de tráfego
d)Como a maior intensidade do tráfego, o objetivo dos sinais luminosos mudou


30 - De acordo com o texto, o sinal luminoso pode ser definido:


a)como um invento que superou as formas antigas de controle de tráfego.
b)Com um invento ultrapassado, que foi superado pelo computador eletrônico.
c)Como um invento destinado a evitar colisões e regularizar o tráfego.
d)Como um invento destinado a auxiliar o trabalho dos guarda-sinaleiros

GABARITO

01)A
02)C
03)E
04)A
05)D
06)C
07)B
08)E
09)A
10)B
11)E
12)C
13)A
14)A
15)D
16)C
17)B
18)E
19)A
20)A
21)C
22)D
23)B
24)D
25)B
26)B
27)B
28)D
29)D
30)C