quarta-feira, 7 de março de 2012

Como fazer Resenha

É um tipo de resumo crítico mais abrangente que permite: comentários, opiniões julgamento de valor e comparações com outras obras do mesmo gênero.

Para que serve? Sintetizar, interpretar e criticar.

Estrutura:
·         Nome do autor
·         Título e subtítulo da obra
·         Nome da editora
·         Lugar e data da publicação
·         Número de páginas
·         Nome autor da resenha

Análise temática:
a)      De que trata o texto?
b)      Sob que perspectiva o autor tratou o tema?
c)      Qual o problema focalizado?
d)     Como o autor soluciona, resolve?
e)      Como o autor demonstra seu raciocínio?
f)       Há outros assuntos paralelos a idéia central?

Análise textual:
a)      Vocabulário
b)      Verificar as ideias fatos apresentados
c)      Autoridade dos autores
d)     Esquematização das idéias expostas

Análise crítica:
a)      Texto coerente?
b)      Qual o alcance do texto?
c)      Qual a validade das ideias?
d)     Que contribuições apresenta?
e)      O autor atingiu os objetivos propostos?
f)       A conclusão está apoiada em fatos?
g)      Que questões o texto levanta?

Esquema explicativo de como elaborar uma Resenha

Passo 1

Leitura dirigida

Momento 1: Leia o texto sem marcar nada. Para identificar a idéia/mensagem central. Não sublinhe, não marque o texto, não anote nada, simplesmente leia do início ao fim. Ao final pergunte-se: qual é a idéia principal do texto? E as secundárias? Do que trata o texto? Se você não conseguir responder essas perguntas, leia de novo. Se responder, passe para o segundo momento.

Momento 2: Leia para destacar os trechos significativos e representativos da idéia central e informações complementares. Agora sublinhe, marque, faça os destaques dos parágrafos significativos.




Passo 2

A Resenha

Momento 1: Faça uma folha de rosto (mesmas informações contidas na capa do trabalho)

Momento 2: Comece escrevendo a bibliografia do texto segundo as normas da ABNT.

Momento 3: Comece fazendo um resumo, sintetizando o conteúdo do texto. Exemplo: O texto trata do tema meio ambiente. O autor defende a ideia que.....Segundo o autor.......Para o autor.....O autor também refere que.....

Momento 4: Faça as transcrições dos trechos que marcou. Após cada trecho coloque o número da página entre parênteses. Exemplo: O autor refere que: “o meio ambiente deve ser preservado” (p. 34), “a natureza precisa de cuidados tanto quanto os seres humanos” (p. 35).......
Momento 5: Faça agora seus comentários sobre o que entendeu, como entendeu o texto. Escreva sua opinião, seu entendimento sobre as ideias contidas no texto. Exemplo: A meu ver o texto.....Entendo que o meio ambiente deve.....Acredito que a natureza....Penso....


TEIXEIRA, Elizabeth. As três metodologias: acadêmica, da ciência e da pesquisa. 4. ed. Petrópolis: Vozes, 2007. p. 40-41.

Fichamento

É uma das fases da Pesquisa Bibliográfica, seu objetivo é facilitar o desenvolvimento das atividades acadêmicas e profissionais. Pode ser utilizado para:
v  Identificar as obras;
v  Conhecer seu conteúdo;
v  Fazer citações;
v  Analisar o material;
v  Elaborar a crítica;
v  Auxiliar e embasar a produção de textos;
Classificação de Fichamento:
FICHAMENTO TEXTUAL - é o que capta a estrutura do texto, percorrendo a sequência do pensamento do autor e destacando: ideias principais e secundárias; argumentos, justificações, exemplos, fatos etc., ligados às ideias principais. Traz, de forma racionalmente visualizável - em itens e de preferência incluindo esquemas, diagramas ou quadro sinóptico - uma espécie de “radiografia” do texto.
FICHAMENTO TEMÁTICO - reúne elementos relevantes (conceitos, fatos, ideias, informações) do conteúdo de um tema ou de uma área de estudo, com título e subtítulos destacados. Consiste na transcrição de trechos de texto estudado ou no seu resumo, ou, ainda, no registro de ideias, segundo a visão do leitor. As transcrições literais devem vir entre aspas e com indicação completa da fonte (autor, título da obra, cidade, editora, data, página). As que contêm apenas uma síntese das ideias dispensam as aspas, mas exigem a indicação completa da fonte. As que trazem simplesmente ideias pessoais não exigem qualquer indicação.
FICHAMENTO BIBLIOGRÁFICO - consiste em resenha ou comentário que dê ideia do que trata a obra, sempre com indicação completa da fonte. Pode ser feito também a respeito de artigos ou capítulos isolados, a arquivado segundo o tema ou a área de estudo. O Fichamento bibliográfico completa a documentação textual e temática e representa um importante auxiliar do trabalho de estudantes e professores.
O processo de fichamento ajuda o estudante a assimilar a matéria e levantar as ideias do texto, analisando-o e ordenando o conteúdo (CRUZ; RIBEIRO, 2004, p.91).
Ficha bibliográfica por autor
Anota-se: o nome do autor (na chamada), o título da obra, edição, local de publicação, editora, ano da publicação, número do volume se houver mais de um e número de páginas.
Exemplo:
Referência:
MARCONI, M.A; LACKATOS, E.M. Metodologia do trabalho científico. 4. ed. São Paulo: Atlas, 1995. 214 p.

Local: Biblioteca Fortium

Ficha bibliográfica por assunto
“Esse tipo de fichamento é mais fácil de trabalhar. As instruções indicadas no item anterior repetem-se aqui, sendo que desta vez o assunto deve estar encabeçando a ficha (na chamada)” (MOTA apud CRUZ; RIBEIRO, 2004, p.92).

Exemplo:
Conhecimento científico
Referência:
MARCONI, M.A; LACKATOS,E.M. Metodologia do trabalho científico. 4. ed. São Paulo: Atlas, 1995. 214 p.

Local: Biblioteca Fortium

Ficha de transcrição (ou de citação)
“Este tipo de fichamento serve para que o pesquisador selecione as passagens que achar mais interessantes no decorrer da obra. É necessário que seja reproduzido fielmente o texto do autor (cópia literal). Após a transcrição, indica-se a referência bibliográfica cabível, ou então encabeça-se a ficha com a referência bibliográfica completa da obra e após a(s) citação(ões), coloca(m)-se o(s) número(s) da(s) página(s) de origem. Se o trecho for citado entre aspas duplas e no seu curso houver uma palavra ou expressão com aspas, estas deverão aparecer sob a forma de aspas simples (’)” (MOTA apud CRUZ; RIBEIRO, 2004, p.92).
Se houver erros de grafia ou gramaticais, copia-se como está no original e escreve-se entre parênteses (sic).
A supressão de palavras é indicada com três pontos entre parênteses [...].
Supressão de um ou mais parágrafos intermediários é indicado por uma linha pontilhada.
Exemplo:
 Título: Metodologia Científica
Título do texto: Ciência e conhecimento Científico
Referência:
MARCONI, M.A; LACKATOS, E.M. Metodologia do trabalho científico. 4. ed. São Paulo: Atlas, 1995.

“O conhecimento popular e o científico possui objetivo comum, mas o que os diferencia é a forma, o modo e os instrumentos do ‘conhecer’. Uma das diferenças é quanto à condição ou possibilidade de se comprovar o conhecimento que se adquire no trato direto com as coisas e o ser humano”. (1995, p.10).

Local: Biblioteca Fortium

Ficha de resumo ou comentário
Você pode utilizar esse tipo de ficha para expor, abreviadamente, as principais ideias do autor ou também para sintetizar as ideias principais de um texto ou de uma aula. A ficha de resumo deve ser breve e redigida com as próprias palavras, não precisando obedecer à estrutura da obra.
Título: Metodologia Científica
Título do texto: Ciência e conhecimento Científico
Subtítulo: Conhecimento científico
Referência:
MARCONI, M.A; LACKATOS, E.M. Metodologia do trabalho científico. 4. ed. São Paulo: Atlas, 1995.

O conhecimento científico se caracteriza pela possibilidade de se comprovar os dados obtidos nas investigações acerca dos objetos. (p. 10).

Ideação: Após a leitura da obra em referência chega-se ao posicionamento...

Observação: falar de algum apêndice, gráfico, tabela, que são importantes e que compõem a obra.

Local: Biblioteca Fortium

Ficha de documentação geral
A função dessas fichas consiste em coletar e guardar materiais úteis, retirados de fontes perecíveis como: artigos de jornais, revistas, textos, roteiros de seminários, trabalhos didáticos, etc.
Exemplo:
Título
Texto colado

Fonte/data/página

Local:

Ficha de vocabulário técno-linguístico
É uma espécie de glossário que guarda os conceitos e categorias específicos de cada área do saber ou disciplina. Servem para esclarecer os conceitos fundamentais de cada tema estudado.
Exemplo:
Título: Metodologia Científica
Título do texto: Ciência e conhecimento Científico

Referência:
MARCONI, M.A; LACKATOS,E.M. Metodologia do trabalho científico. 4. ed. São Paulo: Atlas, 1995.

Ciência=.....................
Conhecimento=........................
Dados=............................
Informações=........................

Local: Biblioteca Fortium

Atividades

Elabore uma ficha:
bibliográfica por autor - bibliográfica por assunto - de transcrição (ou de citação) - de resumo ou comentário
de vocabulário técno-linguístico - de documentação geral

Referência Bibliográfica: CRUZ, Carla; RIBIEIRO, Uirá. Metodologia Científica: Teoria e Prática. Rio de Janeiro: Axcel Books, 2004.

Como construir um texto Dissertativo

01. Interpretação do tema
Devemos interpretar cuidadosamente o tema proposto, pois a fuga total a este implica em zerar a prova de redação;
02. Levantamento de ideias
A melhor maneira de levantar ideias sobre o tema é a auto indagação;
03. Construção do rascunho
Construa o rascunho sem se preocupar com a forma. Priorize, nesta etapa, o conteúdo;
04. Pequeno intervalo
Suspenda a atividade redacional por alguns instantes e ocupe-se com outras provas, para que possa desviar um pouco a atenção do texto; evitando, assim, que determinados erros passem despercebidos;
05. Revisão e acabamento
Faça uma cuidadosa revisão do rascunho e as devidas correções;
06. Versão definitiva
Agora passe a limpo para a versão definitiva, com calma e muito cuidado!
07. Elaboração do título
O título deve ser urna frase curta condizente com a essência do tema.

Orientação para Elaborar uma Dissertação
Seu texto deve apresentar tese, desenvolvimento (exposição/argumentação) e conclusão.
Não se inclua na redação, não cite fatos de sua vida particular, nem utilize o ainda na 1ª pessoa do plural.
Seu texto pode ser expositivo ou argumentativo (ou ainda expositivo e argumentativo). As ideias-núcleo devem ser bem desenvolvidas, bem fundamentadas.
Redija na 1ª pessoa do singular ou do plural, ou fundamentadas. Evite que seu texto expositivo ou argumentativo seja urna sequência de afirmações vagas, sem justificativa, evidências ou exemplificação.
Atente para as expressões vagas ou significado amplo e sua adequada contextualização.
Ex.: conceitos como “certo”, “errado”, “democracia”, “justiça”, “liberdade”, “felicidade” etc.
Evite expressões como “belo”, “bom”, “mau”, “incrível”, “péssimo”, “triste”, “pobre”, “rico” etc.; são juízos de valor sem carga informativa, imprecisos e subjetivos.
Fuja do lugar-comum, frases feitas e expressões cristalizadas: “a pureza das crianças”, “a sabedoria dos velhos”. A palavra “coisa”, gírias e vícios da linguagem oral devem ser evitados, bem como o uso de “etc.” e as abreviações.
Não se usam entre aspas palavras estrangeiras com correspondência na língua portuguesa: hippie, status, dark, punk, laser, chips etc.
Não construa frases embromatórias. Verifique se as palavras empregadas são fundamentais e informativas.
Observe se não há repetição de ideias, falta de clareza, construções sem nexo (conjunções mal empregadas), falta de conexão de ideias nas frases e nos parágrafos entre si, divagação ou fuga ao tema proposto.
Caso você tenha feito uma pergunta na tese ou no corpo do texto, verifique se a argumentação responde à pergunta. Se você eventualmente encerrar o texto com uma interrogação, esta pode estar corretamente empregada desde que a argumentação responda à questão. Se o texto for vago, a interrogação será retórica e vazia.
Verifique se os argumentos são convincentes: fatos notórios ou históricos, conhecimentos geográficos, cifras aproximadas, pesquisas e informações adquiridas através de leituras e fontes culturais diversas.
Se considerarmos que a redação apresenta entre 20 e 30 linhas, cada parágrafo pode ser desenvolvido entre 3 e 6 linhas. Você deve ser flexível nesse número, em razão do tamanho da letra ou da continuidade de raciocínio elaborado. Observe no seu texto os parágrafos prolixos ou muito curtos, bem corno os períodos muito fragmentados, que resultam numa construção primária.
Seguem alguns modelos
TEMA: “DENÚNCIAS, ESCÂNDALOS, CASOS ILÍCITOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, CORRUPÇÃO E IMPUNIDADE... ISSO É O QUE OCORRE NO BRASIL HOJE.”.
Uma nova ordem
Nunca foi tão importante no País uma cruzada pela moralidade. As denúncias que se sucedem, os escândalos que se multiplicam, os casos ilícitos que ocorrem em diversos níveis da administração pública exibem, de forma veemente, a profunda crise moral por que passa o País.
O povo se afasta cada vez mais dos políticos, como se estes fossem símbolos de todos os males. As instituições normativas, que fundamentam o sistema democrático, caem em descrédito. Os governantes, eleitos pela expressão do voto, também engrossam a caldeira da descrença e, frágeis, acabam comprometendo seus programas de gestão.
Para complicar, ainda estamos no meio de uma recessão que tem jogado milhares de trabalhadores na rua, ampliando os bolsões de insatisfação e amargura.
Não é de estranhar que parcelas imensas do eleitorado, em protesto contra o que veem e sentem, procurem manifestar sua posição com o voto nulo, a abstenção ou o voto em branco. Convenhamos, nenhuma democracia floresce dessa maneira.
A atitude de inércia e apatia dos homens que têm responsabilidade pública os condenará ao castigo da história. É possível fazer-se algo, de imediato, que possa acender uma pequena chama de esperança.
O Brasil dos grandes valores, das grandes ideias, da fé e da crença, da esperança e do futuro necessita, urgentemente da ação solidária, tanto das autoridades quanto do cidadão comum, para instaurar uma nova ordem na ética e na moral.
Carlos Apolinário, adaptado.
Comentário:
O primeiro parágrafo constitui a introdução do texto (tese).
Os parágrafos segundo, terceiro e quarto constituem o desenvolvimento (argumentação — exemplificação com análise e crítica).
O último parágrafo é a conclusão (perspectiva de solução).



TEMA: Tudo vale a pena. Se a alma não é pequena. (Fernando Pessoa)
Sonhar é preciso
“Nós somos do tamanho dos nossos sonhos”. Há, em cada ser humano, um sebastianista louco, vislumbrando o Quinto Império; um navegador ancorado no cais, a idealizar ‘mares nunca dantes navegados’; e um obscuro D. Quixote de alma grande que, mesmo amesquinhado pelo atrito da hora áspera do presente, investe contra seus inimigos intemporais: o derrotismo, a indiferença e o tédio.
Sufocado pelo peso de todos os determinismos e pela dura rotina do pão-nosso-de-cada-dia, há em cada homem um sentido épico da existência, que se recusa a morrer, mesmo banalizado, manipulado pelos veículos de massa e domesticado pela vida moderna.
É preciso agora resgatar esse idealista que ocultamente somos, mesmo que D. Sebastião não volte, ainda que nossos barcos não cheguem a parte alguma, apesar de não existirem sequer moinhos de vento.
Senão teremos matado definitivamente o santo e o louco que são o melhor de nós mesmos; senão teremos abdicado dos sonhos da infância e do fogo da juventude; senão teremos demitido nossas esperanças.
O homem livre num universo sem fronteiras. O nordeste brasileiro verde e pequenos nordestinos ri sonhos e saudáveis, soletrando o abecedário. Um passeio a pé pela cidade calma. Pequenos judeus, árabes e cristãos, brincando de roda em Beirute ou na Palestina.
E os vestibulandos, todos, de um país chamado Brasil, convocados a darem o melhor de si no curso superior que escolheram.
Utopias? Talvez sonhos irrealizáveis de algum poeta menor, mas convicto de que nada vale a pena, se a alma é mesquinha e pequena.”.

Comentário:
A introdução encontra-se no 1° parágrafo, que faz uma espécie de síntese do texto, funcionando como uma espécie de índice das ideias e elementos que aparecerão no desenvolvimento (sebastianista, o navegador, o D. Quixote).
O desenvolvimento está nos cinco parágrafos seguintes, que retomam e explicam cada uma das ideias e elementos apresentados no inicio.
A conclusão realiza-se no último parágrafo, reafirmando a tese de que somos do tamanho de nossos sonhos e de nossas lutas por nossos ideais, sem os quais a alma seria mesquinha e pequena (e a vida não valeria a pena).
TEMA: “À busca do Brasil de nossos sonhos, travar-se-á uma longa jornada.”
Em busca do Brasil de nossos sonhos
Utopia, talvez seja este o termo que resuma os anseios de um povo que, há mais de quatro séculos, alimenta esperanças de ver seu país constituir-se em um Estado forte e humanitário.
Transformações drásticas e rápidas não correspondem ao caminho a se seguir que será árduo e penoso, entretanto os júbilos alcançados serão tão doces e temos que terão valido cada gota de sangue e suor derramado.
Muitos são os problemas (corrupção, injustiça, desigualdades...) e suas soluções existem, só não fazem parte do plano político-econômico e social a ser seguido, pois este não há. Generalizar chega a ser infantil e prematuro, mas atualmente não se tem tido conhecimento sobre uma reforma concreta e séria que vise à melhoria de vida da população e que não esteja “engavetada”, ainda em “processo de viabilização”, tal como as reformas agrária e tributária, por exemplo. A justiça no Brasil, além de paradoxal, vem a ser ilusória.
Diversidade de solos, climas, costumes, gente, vários povos misturados em um só, tantos méritos e nenhuma vitória que não tenha sido mais do que temporária. O amor à pátria a cada dia fica mais frágil quando deveria se fortalecer, então o que fazer?
Lutar, não travando guerras ou impondo violência. Reivindicar direitos e estipular deveres requer sabedoria, a liberdade de expressão foi conquistada com muito esforço e perseverança por brasileiros que queriam gritar e não se calar diante da destruição lenta e contínua de seu país.
Valorizas o nosso e melhorar o Brasil depende não da vontade de cada um, isoladamente, mas sim do desejo de todos, afinal são mais de cento e trinta milhões de pessoas com interesses diversos ocupando um mesmo país, e muitas querem vê-lo progredir, no entanto como isso será possível? Optando por um nacionalismo extremado? Talvez. Para haver mudanças é preciso que se queira mudar, um Estado politicamente organizado, quem sabe, este Estado: o Brasil.
Tatiana R. Batista

Como melhorar o Brasil
“E nas terras copiosas, que lhes denegavam as promessas visionadas, goravam seus sonhos de redenção”. Com estas palavras José Américo de Almeida, em seu livro “A Bagaceira”, conseguiu caracterizar um Brasil que, há quinhentos anos, mantém-se o mesmo: injusto e desigual.
Fome e miséria em meio à fartura e pujança, descontentamento e inércia presentes em um mesmo povo. Tantas contradições advêm de um processo histórico embasado em inserir o Brasil no contexto socioeconômico mundial como um Estado dependente economicamente, subdesenvolvido tecnologicamente, sendo por isso frágil perante a soberania de um sem-número de países que desde sempre deteve o controle supremo de o quê, e como tudo deve ser direcionado.
De colônia à república, sendo monarquia ou não, a aristocracia se mantém presente, forte e imponente, segura habilidosamente “as rédeas” deste “carro desgovernado” chamado, anteriormente, de Terra brasilis. É estranho pensar que um vasto território, em que se afirma vigorar o “governo de todos e para todos” pertença na realidade a um restrito grupo que não deseja alterações de qualquer tipo, por considerar a atual situação do Brasil ideal. O ideal seria desconsiderar tais argumentos, sendo estes inválidos e inadmissíveis, uma vez que altos níveis de desemprego, corrupção, carência nos diversos setores públicos..., não correspondem ao que se espera para haver uma elevação no padrão de desenvolvimento de um país.
A globalização, tão comentada em todo o mundo, só ratifica ainda mais um processo que, aos olhos de todos, parece inevitável: a colonização do mundo, a preponderância de uns poucos Estados politicamente organizados sobre o resto do planeta. O Brasil virando colônia, principalmente, dos Estados Unidos da América. A submissão completa.
Deste ponto de vista (que pode ser o único), a situação se apresenta de forma grave. Alarmante, porém é a falta de soluções.
Pior, talvez seja a falta de interesse em mudanças. Já foram privatizadas a (Companhia Vale do Rio Doce, a Siderúrgica Nacional, logo em breve a Petrobrás e o Banco do Brasil, símbolos da soberania nacional). Vivemos em um mesmo espaço o qual cada vez mais deixa de nos pertencer, estamos enfraquecidos, o nacionalismo se enfraquece se a nação única deixa de existir. Não se pode afirmar que uma atitude revolucionária seja o melhor caminho ou o caminho certo, no entanto a passividade neurastênica da população jamais resolverá nada. O exercício da cidadania é necessário para implantar a verdadeira cidadania. Consciência política e senso de justiça o pior obstáculo a ser contornado é a alienação, consequência da ignorância que cerca a maior parte da população, sem acesso à cultura.
O primeiro passo já foi dado: conhecer os problemas e, mesmo que superficialmente, pensar a respeito. Ufanismo, utopia, sonho, perseverança e luta. A coragem precisa de esperança, o homem precisa de ambas para sobreviver e lutar. Se o povo brasileiro é naturalmente corajoso, lutemos agora para seguir em frente e firmar este país como soberano e forte que é.
Tatiana R. Batista
A corrupção no Brasil
Durante todo o processo de formação cultural do povo brasileiro, o trabalho nunca foi considerado uma atividade digna, a riqueza, mesmo ilícita era a grande nobreza e a comprovação da superioridade.
No período colonial, o trabalho para o português recém-chegado toma-se um ato ignóbil, explorar o bugre e o negro é a maneira de se viver numa terra nova, onde a “esperteza” de sempre tirar lucros e ganhar, mesmo através da trapaça, é considerada uma virtude.
No império e na república oligárquica, a história se repete e sempre está a favor de uma aristocracia, que desrespeita a condição humana, com suas atitudes nepóticas e de extrema fraternalidade entre os iguais mineiros e paulistas.
Nos períodos seguintes, a rede de corruptos se mostra e toma contorno urbano, onde a população adquire maior intelectualidade e passa a exigir um maior respeito e que pelo menos se disfarcem os roubos contra nossa população de miseráveis e condicionados.
Já cansada pelos quinhentos anos de “falcatruas” justificadas e pela explosão de novas “bombas”, a cada dia a população apercebe-se. Em fim, do maquiavelismo político e rejeita as soluções prontas e maternais da pátria mãe gentil.
Esperamos que, nos próximos anos, a política brasileira tome-se mais séria, rejeite o dito maquiavélico e trate o trabalho como um meio de ascensão e de dignificação do homem e não como um ato oprobriante.
Tiago Barbosa

terça-feira, 6 de março de 2012

Modernismo - (1922 – 1945)

CONTEXTO HISTÓRICO

Acontecimentos extraordinários, no campo científico-tecnológico, marcam o início do nosso século na Europa. O telégrafo, o telefone, o cinema, o automóvel, o avião são invenções que atestam o notável desenvolvimento tecnológico da época. Outras contribuições: Albert Einstein revoluciona o campo científico com a sua teoria da relatividade, Sigmund Freud contribui para o progresso dos estudos da psico-fisiologia mental, as idéias do suíço Ferdinand Saussure influenciam os estudos lingüísticos e fundam a Lingüística Estrutural Moderna. Entretanto, com a deflagração da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), a Europa passa a viver momentos de constantes sobressaltos, que geram a inquietude, niilismo, desequilíbrio, descrença em relação aos sistemas sociais, políticos e filosóficos; o homem passa a questionar os valores vigentes. A guerra lança sobre a humanidade a semente da incerteza, da descrença, da inquietude.
A arte não podia deixar de trair esse estado de perplexidade, de abalo interior. Surgem, então, formas de expressão diversas: o Dadaísmo (1918), o Futurismo (1909), o Expressionismo (1911), o Cubismo (1907), o Surrealismo (1924). Os grandes movimentos de vanguarda da Europa tiveram repercussão sobre a mentalidade de intelectuais brasileiros do início do século XX.

OS MOVIMENTOS DE VANGUARDA

Os diferentes movimentos artísticos surgidos na Europa no início do século XX são designados, de forma genérica, como Vanguardas Européias.

FUTURISMO - Caracteriza a época das negações e rebeldias, a rejeição violenta da tradição e da convenção. O escritor italiano Felipe Marinetti foi seu criador. Publicou o Manifesto Futurista.
Principais características: palavras em liberdade, emprego de verbos no infinitivo, supressão de adjetivos, construções diretas e inovadoras, liberdade absoluta de criação.

CUBISMO - Tem como principal característica a preponderância das formas geométricas nas artes plásticas. Os cubistas representavam objetos da realidade cotidiana como se fossem vistos sob diferentes ângulos ao mesmo tempo. Nas artes plásticas o principal defensor foi o pintor espanhol Pablo Picasso; na literatura, o francês Guillaume Apollinaire.

Principais características: a obra de arte se basta a si mesma, mistura do presente com o passado, supressão da lógica aparente, valorização do humor.

EXPRESSIONISMO -Surgiu como reação ao Impressionismo, corrente artística que se dispunha a captar a realidade com exatidão, com toda a sua dinamicidade. Foram seus precursores os pintores Munch e Vincent Van Gogh, os músicos Arnold Schönberg e Darius Milhaud. Seu maior sucesso foi na Alemanha.
Principais características: subjetivismo, manifestação do estado de espírito do artista, abandono ao mundo das aparências, valorização da imaginação e dos sonhos, o mundo interior expresso na obra de arte não atende à lógica do mundo exterior.

DADAÍSMO - Foi o mais radical e destruidor movimento de vanguarda. Definiu-se em Zurique, tendo como principal iniciador o escritor francês Tristan Tzara. Os dadaístas procuravam ridicularizar e destruir todos os dogmas em vigor na pintura, na música e na poesia. Consideravam a guerra loucura e perversidade dos homens.

Principais características: liberdade total de criação, abolição da lógica, "arte não é coisa séria", não há necessidade de se fazer uma arte compreensível por todos, bastando que ela seja entendida por um grupo de iniciados.

SURREALISMO - O adjetivo surrealista (com o sentido de superfantástico) foi empregado pela primeira vez por Apollinaire. Louis Aragón e André Breton tiveram papel decisivo no lançamento da estética surrealista. Salvador Dali foi o pintor surrealista mais conhecido. Principais características: valorização da imaginação, ilogismo, valorização do inconsciente, automatismo verbal e escrito, humor negro, modificação das estruturas da realidade através da realidade.


SEMANA DA ARTE MODERNA

Alguns acontecimentos precedem a Semana de Arte Moderna, evento que não ocorre subitamente. Escritores brasileiros trazem, de volta da Europa, notícias de uma literatura em crise. A divulgação das teorias vanguardistas, então em curso na Europa, marca uma brusca ruptura na história literária brasileira. Na década de 1910 a 1920, observa-se entre os intelectuais um anseio de renovação artística e cultural. O Brasil contagia-se com a inquietação dominante no mundo europeu, embora inicialmente isso se manifeste de modo tímido, em grupos isolados do Rio de Janeiro e São Paulo. Tristão de Ataíde (pseudônimo de Alceu Amoroso Lima) e Wilson Martins registram esse fato, ocorrido ao longo daqueles anos e caracterizado como "sincretismo". Em 1912, Oswald de Andrade, na Europa, toma conhecimento das idéias futuristas de Marinetti e as divulga em São Paulo. É a revista 'Orfeu', que assinala a Vanguarda Futurista em Portugal. Em 1915, Ronald de Carvalho participa da fundação dessa revista. Em 1913, dá-se a primeira mostra de arte não-acadêmica feita no Brasil. O autor das obras é o pintor Lasar Segall, artista russo radicado em nosso país. Segall, entretanto, não desencadeia transformações radicais na arte brasileira. Esse papel caberá a Anita Malfatti.

Sua exposição, inaugurada ao voltar dos Estados Unidos (12/12/1917), escandaliza o ambiente intelectual paulista e provoca diversos ataques, inclusive o de Monteiro Lobato. Aos quadros de Malfatti - em que se mesclam Expressionismo, Cubismo e Fauvismo (os fauvistas propõem uma arte rude, de cores cruas e composição despojada) - vêm juntar-se às esculturas de Vitor Brecheret. A partir de 1914, o termo futurismo começa a circular nos jornais do Brasil. Há entre os puristas uma grande polêmica gerada pelas inovações instaladas na literatura brasileira: verso livre, escrita automática, lirismo paródico, exploração criativa do folclore, da tradição oral e da linguagem coloquial.

Em 1917, Mário de Andrade faz sua estréia literária, sob o pseudônimo de Mário Sobral, com a publicação do livro 'Há uma gota de sangue em cada poema', seguido de 'Paulicéia Desvairada', marco expressivo da poesia modernista brasileira. Nesse mesmo ano, Menotti del Picchia publica o poema regionalista 'Juca Mulato' e Manuel Bandeira estréia com a obra 'A Cinza das Horas'. Em 1919, Manuel Bandeira lança a segunda obra, 'Carnaval'. Em novembro de 1921, Di Cavalcanti expõe 'Fantoches da Meia-Noite'. Durante o evento, Graça Aranha, que voltava da Europa, conhece o pintor. Surge, nessa ocasião, a idéia da realização da Semana de Arte Moderna.
Finalmente, em fevereiro de 1922, realiza-se em São Paulo a Semana de Arte Moderna. O objetivo dos organizadores era, acima de tudo, a destruição das velhas formas artísticas na literatura, música e artes plásticas. Paralelamente, procuravam apresentar e afirmar "os princípios da chamada arte moderna", ainda que eles mesmos estivessem confusos a respeito de seus projetos artísticos. Oswald de Andrade sintetizava o clima da época ao afirmar: "Não sabemos o que queremos. Mas sabemos o que não queremos". A proposição de uma semana implicava uma amostragem geral da prática modernista. Programaram-se conferências, recitais, exposições, leituras, etc. O Teatro Municipal de São Paulo foi alugado. Toda uma atmosfera de provocação se estabeleceu nos círculos letrados da capital paulista. Havia dois partidos: o dos futuristas e o dos passadistas. Desde a abertura da Semana, com a conferência equivocada de Graça Aranha, a emoção estética na Arte Moderna, até a leitura de trechos vanguardistas por Mário de Andrade, Menotti del Picchia, Oswald de Andrade e outros, o público se manifestava por apupos e aplausos fortes. Porém, o momento mais sensacional da Semana deu-se na segunda noite, quando Ronald de Carvalho leu um poema de Manuel Bandeira, o qual não comparecera ao teatro por motivos de saúde. O poema chamava-se 'Os Sapos' e era uma ironia violenta aos Parnasianos, que ainda dominavam o gosto do público. A reação se deu através de vaias, gritos, patadas. Mas, em sua iconoclastia, o poema delimitava o fim de uma época cultural.


PRINCIPAIS PARTICIPANTES:

LITERATURA - Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Graça Aranha, Ronald de Carvalho, Menotti del Picchia, Guilherme de Almeida, Sérgio Milliett.

MÚSICA E ARTES PLÁSTICAS -Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Tarsila do Amaral, Villa-Lobos, Guiomar Novaes.
                                                                                         
A IMPORTÂNCIA ESTÉTICA DA SEMANA

Se a Semana foi realizada por jovens inexperientes, sob o domínio de doutrinas européias mal-assimiladas, conforme acentuam alguns críticos, ela significou também o atestado de óbito da arte dominante. O academicismo plástico, o romantismo musical e o parnasianismo literário esboroam-se por inteiro. É possível que a Semana não tenha se convertido no fato mais importante da cultura brasileira, como queriam muitos de seus integrantes. Houve dentro dela, e no período que a sucedeu (1922-1930), certa destrutividade gratuita, certo cabotinismo, certa ironia superficial e enorme confusão ideológica. Mário de Andrade diria mais tarde que faltou aos modernistas de 22 um maior empenho social, uma maior impregnação "com a angústia do tempo". Com efeito, os autores que organizaram a Semana colocaram a "renovação estética" acima de outras preocupações importantes. De qualquer maneira, o espírito modernista destruiu um imobilismo cultural que entravava as criações mais revolucionárias e complexas, possibilitando um caminho livre à geração posterior. Apesar de todos os limites, a Semana de Arte Moderna deixou vários legados. Caberia a Mário de Andrade - verdadeiro líder e principal teórico do movimento - sintetizar a herança de 22:

- A estabilização de uma consciência criadora nacional, preocupada em expressar a realidade brasileira;
- A atualização intelectual com as vanguardas européias;
- O direito permanente de pesquisa e criação estética.

A DIVULGAÇÃO NO BRASIL - Os grupos Modernistas procuraram divulgar suas idéias por meio de revistas de vanguarda, em torno das quais se aglutinavam determinadas correntes. As principais foram:

KLAXON-MENSÁRIO DE ARTE MODERNA - Representou a primeira tentativa de organizar as idéias expressas pela Semana de Arte Moderna. Foi publicada em São Paulo de maio de 1922 a janeiro de 1923. Contrapôs o Futurismo (experimentação em velocidade na linguagem) e o primitivismo (próximo ao Surrealismo e ao Expressionismo, na busca do inconsciente).

MOVIMENTO PAU-BRASIL -Liderado por Oswald de Andrade e que propunha a redescoberta do Brasil, através de uma arte voltada para as características do país. O movimento é de natureza pictórica, folclórica, histórica, étnica, econômica, culinária e lingüística.

VERDE-AMARELISMO - Propunha que se abandonem as idéias européias na busca da verdadeira nacionalidade brasileira. Participam desse movimento Menotti Del Picchia, Plínio Salgado, Cassiano Ricardo, Raul Bopp e outros. Subdivide-se em Movimento da Anta e Movimento da Bandeira.

CORRENTE PRIMITIVISTA - Teve suas idéias expressas na revista de antropofagia. Foi liderado por Oswald de Andrade. Em seu 'Manifesto Antropófago', propunha que só a antropofagia nos une, no sentido de que as culturas estrangeiras fossem devoradas e recriadas segundo nossas tradições e costumes. "Tupi, or not tupi, that is the question" seria o grande dilema da realidade brasileira.

CORRENTE ESPIRITUALISTA - Tenta contestar a irreverência de outros grupos, através da defesa da tradição.

OUTRAS REVISTAS - 'Terra Roxa e Outras Terras', 'A Revista', 'Arco e Flecha', 'Verde', 'Maracajá' e 'Madrugada'.

CARACTERÍSTICAS

As principais características gerais do movimento modernista:
- Ânsia de Modernidade: rejeição do passado;
- Liberdade de criação artística;
- Sentimento nacionalista;
- Presença do cotidiano e do prosaico.

GERAÇÃO  (1922) (1937) -HERÓICA
Tem como princípios:
- negação do passado, caráter destrutivo;
- eleição do moderno como um valor em si mesmo;
- valorização do cotidiano;
- nacionalismo;
- redescoberta da realidade brasileira;
- desejo de liberdade no uso das estruturas da língua;
- predominância da poesia sobre a prosa.

PRINCIPAIS AUTORES:

Oswald de Andrade - Principais obras: romances: 'Memórias sentimentais de João Miramar' (1924); 'Serafim Ponte Grande' (1933); poesia: 'Pau-Brasil' e 'Cântico dos Cânticos'; teatro: 'O Rei da Vela' (1937); 'Marco Zero' (1943).

Características Pessoais: espírito irrequieto, agitador. Foi o primeiro articulador do modernismo.

Características Literárias: linguagem elíptica e rica em metáforas e neologismos; Capítulos curtos, fragmentados (técnica cinematográfica); Humor satírico (sátira à aristocracia cafeeira). Valorização do Brasil primitivo.

Mário de Andrade - Principais obras: poesia: 'Há uma Gota de Sangue em Cada Poema' (1917); 'Paulicéia Desvairada' (1922); 'Losango Cáqui' (1926); 'Clã do Jabuti' (1927); 'Remate dos Males' (l930); 'Lira Paulistana' (1947), ficção: 'Amar, Verbo Intransitivo' (1927); 'Macunaíma' (1928); 'Os Contos de Belazarte' (1934); 'Contos Novos' (1947), ensaios: 'A Escrava que não é Isaura' (l925); 'Aspecto da Literatura Brasileira' (l943); 'O Empalhador de Passarinho' (1944).

Características da Poesia: Primeiras obras com elementos modernizadores, Inovação estética, valorização da realidade de São Paulo, nacionalismo, indagação social.

Manuel Bandeira -,Principais obras da primeira fase - poesia entre parnasiana e simbolista: 'Cinza das Horas' e 'Carnaval'. Obras da segunda fase: 'O Ritmo Dissoluto'; 'Libertinagem'; 'Estrela da Manhã'; 'Belo Belo'; 'Lira dos Cinqüent'anos'.

Características Pessoais: Poesia intimista, tom confidencial, linguagem coloquial, simplicidade, temas prosaicos e cotidianos, ironia, melancolia e bom humor.

Raul Bopp - Principais obras: 'Cobra Norato' - trata-se de uma narrativa fantástica. Depois de estrangular a Cobra Norato e enfiar-se em sua pele, o herói percorre a selva amazônica na busca obsessiva da filha da rainha Luzia, deslumbrando-se a cada instante com um mundo mágico primitivo, os seres do rio e da floresta. Depois de vencer muitos obstáculos, encontra a noiva e rouba-a da cobra grande. Final feliz.

Características: Linguagem coloquial, amorosa, rica em diminutivos; obra primitivista na linha da antropofagia; Há um tempo lírico e dramático, a presença de mitos, lendas, e cores locais dão ao poema o cunho de rapsódia amazônica.

Cassiano Ricardo - Principal obra: 'Martim Cererê' (poesias); 'Poesia "Verde-Amarela" '
Plínio Salgado - Principal obra: 'O Estrangeiro' - romance ideológico de técnicas vanguardistas.

Antônio de Alcântara Machado - Principal obra: 'Brás, Bexiga e Barra Funda' livro de contos de realismo irônico e sentimental e valorização do imigrante italiano. Estilo Modernista.

2ª GERAÇÃO  (1930) - CONSOLIDAÇÃO
Tem como princípios:- estabilização das conquistas;
- diminuição dos exageros e radicalismos;
- ampliação da temática, deixando de usar apenas o particular e  tendendo para o universal;
- regionalismo (preferência pelo romance);
- equilíbrio quanto ao uso do material lingüístico.

A segunda fase do Modernismo brasileiro (1930-1945), mais conhecida como geração de 30, é menos demolidora que a fase anterior, marcando-se pelo espírito construtivo e pela estabilização das conquistas anteriores.




AUTORES PRINCIPAIS DA PROSA:

Absorvidas as inovações estéticas propostas pela Geração de 22, a literatura brasileira se volta para os temas sociais. Escritores em sua maioria radicados no Nordeste se sensibilizaram e mesmo se revoltaram com o desequilíbrio sócio-econômico: de um lado, a aristocracia rural, os grandes fazendeiros; de outro lado, milhões de camponeses desvalidos e marginalizados; nas cidades, a mesma injustiça - os ricos e os pobres. A narrativa de 30 exprime esses contrastes, examinando-os com objetividade e senso crítico. O primeiro romance da geração de 30 é 'A Bagaceira', de José Américo de Almeida.

CRONOLOGIA DE ALGUNS ROMANCES - (ver também cronologia geral):
1928 - 'A Bagaceira', de José Américo de Almeida.
1930 - 'O Quinze', de Rachel de Queiroz.
1932 - 'Menino de Engenho', de José Lins do Rego; 'O País do Carnaval', de Jorge Amado.
1933 – 'Caetés', de Graciliano Ramos; 'Clarissa', de Érico Veríssimo; 'Os corumbás', de Amando Fontes; 'Cacau', de Jorge Amado.
1934 – 'Bangüê', de José Lins do Rego; 'São Bernardo', de Graciliano Ramos.
1935 – 'Jubiabá', de Jorge Amado; 'Música ao Longe', de Érico Veríssimo; 'Os Ratos', de Dyonélio Machado.

JOSÉ LINS DO REGO - A obra de José Lins do Rego divide-se em três blocos temáticos:
Ciclo da cana-de-açúcar - 'Menino de Engenho' (1932), 'Doidinho' (1933), 'Bangüê' (1934), 'O Moleque Ricardo' (1935), 'Usina' (1936), 'Fogo Morto' (1943).

Ciclo do cangaço e misticismo - Pedra Bonita (1938), 'Cangaceiros' (1953).
 
Temas diversos - 'Pureza' (1937), 'Riacho Doce' (1939), 'Eurídice' (1947).

Características do autor: predominância da narrativa memorialista, linguagem marcada por forte oralidade, presença marcante do cenário (engenho Santa Rosa).

GRACILIANO RAMOS -A obra de Graciliano Ramos está traduzida para mais de dez idiomas e alguns de seus relatos já mereceram visão cinematográfica. Principais obras: 'Caetés' (1933), 'São Bernardo' (1934), 'Angústia' (1936), 'Vidas Secas' (1938), 'Infância' (1945), 'Insônia' (1947-contos), 'Memórias do Cárcere' (1953).

RACHEL DE QUEIROZ - Principais obras: 'O Quinze' (1930), 'João Miguel' (1932), 'Caminho de Pedras' (1937), 'As Três Marias' (1939).

Características: narrativas bem sintonizadas com o espírito de 30. Nas obras de Rachel de Queiroz a valorização do universo regional, a linguagem precisa e objetiva e a ideologia paternalista que acompanha a pré-consciência do subdesenvolvimento, marcam-lhe os textos, dos quais o mais conhecido continua sendo 'O Quinze'.

ÉRICO VERÍSSIMO- É o maior romancista gaúcho, Érico Veríssimo é um dos mais populares escritores brasileiros.

Primeira fase: predominam romances urbanos: 'Clarissa' (1933), 'Caminhos Cruzados' (1935), 'Música ao Longe' (1935), 'Um Lugar ao Sol' (1936), 'Olhai os Lírios do Campo' (1938), 'Saga' (1940), 'O Resto é Silêncio' (1942).

Segunda fase: 'O Tempo e o Vento' (1949-1962), 'Noite' (1954), 'O Senhor Embaixador' (1965), 'O Prisioneiro' (1967), 'Incidente em Antares' (1971), 'Solo de Clarineta' (Memórias - 1973).

Com exceção de 'Saga', cuja ação ocorre, em grande parte, na Espanha, durante a Revolução de 1936, os outros romances são ambientados em Porto Alegre.

DIONÉLIO MACHADO - Principais obras: 'Um Pobre Homem', 'Os Ratos', 'O Louco do Cati'.
CYRO MARTINS
Principais obras: 'Campo Fora' (contos), 'Trilogia do Gaúcho a Pé' ('Sem Rumo', 'Porteira Fechada', 'Estrada Nova').

AMANDO FONTES - 'Os Corumbás' - a história de uma família camponesa proletária que vive em Aracaju.
JOÃO ALPHONSUS - 'Totônio Pacheco' - a desarticulação de um velho "coronel" no mundo urbano.
CIRO DOS ANJOS - 'O Amanuense Belmiro' - a solidão e a perda de um lírico burocrata, descendente falido da oligarquia mineira.
MARQUES REBELO
'O Espelho Partido' - romance cíclico sobre os costumes do Rio de Janeiro.

AUTORES PRINCIPAIS DA POESIA
Em linhas gerais:
- a poesia, a partir de 1930, apresenta crescente amadurecimento; abandona o espírito combativo e irreverente da década anterior e passa a caracterizar-se pelo espírito construtivo;
- a linguagem é mais comunicativa e pessoal, sem desprezo da liberdade formal dos primeiros tempos do modernismo;
- a temática é variada: temas sociais, religiosos, amorosos, espiritualistas caracterizam a poesia moderna da segunda fase.

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE - Principais obras: 'Alguma Poesia' (obra de estréia - 1930), 'Brejo das Almas', 'Sentimento do Mundo', 'A Rosa do Povo', 'Claro Enigma', 'Fazendeiro do Ar', 'Lição de Coisas'.
Características: Nos primeiros livros, Drummond revela-se um poeta modernista pela presença de temas cotidianos, pela linguagem depurada (ausência do pitoresco), pelo humor (apesar do pessimismo e do desencanto). No entanto, não se percebem nele os exageros, a falta de racionalidade, o deboche, enfim, uma acentuada agressividade de outros poetas da época. Posteriormente, em livros como 'Sentimento do Mundo' e 'A Rosa do Povo', o poeta evolui para uma atitude participativa, uma poesia de solidariedade, provocada pelos sofrimentos causados pela guerra. Podemos considerar como características marcantes e quase permanentes do poeta: linguagem depurada, precisa; afetividade intensa, disfarçada pelo humor e ironia; sentimento de solidão, desencanto e pessimismo; temas prosaicos e cotidianos; poesia voltada para indagações filosóficas.

CECÍLIA MEIRELES - Principais obras: 'A Viagem', 'Vaga Música', 'Mar Absoluto', 'Doze Noturnos de Holanda', 'Romanceiro da Inconfidência' (narrativa histórica em versos).

Características: Virtuosismo verbal, musicalidade, preferência por versos curtos, delicadeza e espiritualidade. A obra de Cecília Meireles possui uma melancolia que se manifesta na preferência por temas como solidão, fugacidade do tempo, resignação diante da falta de sentido da vida. Abstração, atmosfera de sonho e tom intimista.

MÁRIO QUINTANA - Principais obras: 'A Rua dos Cataventos', 'Canções', 'Sapato Florido', 'Espelho Mágico', 'O aprendiz de Feiticeiro', 'Do Caderno H', 'Apontamentos de História Sobrenatural', 'A vaca e o Hipógrifo'. Em 'A Rua dos Cataventos', o autor adota o soneto, inovado pela linguagem coloquial.
Temas variados: solidão, melancolia, as ruas de Porto Alegre. Em 'Espelho Mágico' temos quadrinhas bem-humoradas sobre temas filosóficos. Em 'Sapato Florido' e, 'Do Caderno H', poemas curtos em prosa, versando fatos do cotidiano, com o bom-humor permanente de Mário Quintana. Outras experiências poéticas surgem em 'O Aprendiz de Feiticeiro'.

VINÍCIUS DE MORAES - Principais obras: 'Novos Poemas' (1938), 'Cinco Elegias' (1943), 'Poemas, Sonetos e Baladas' (1946). Vinícius de Moraes foi famoso por seus belíssimos sonetos.
Temas e características: o amor sensual e místico, o cotidiano e a denúncia social.

JORGE DE LIMA - Principais obras: 'Invenção de Orfeu', 'Essa Negra Fulô'. Características e temas: a vida nordestina, a cultura negra, a religiosidade.

MURILO MENDES - 3Principal obra: 'Contemplação de Ouro Preto'.

Temas características: o "brasileiro modernista", a religiosidade metafísica.

Bibliografia

Literatura Universal – LOGON – Editora Multimídia